Marcelinho Paraíba

Marcelinho Paraíba

A ascensão do Sport é a redenção do meia Marcelinho Paraíba. Redenção de um "pecado" cometido no agora longínquo 2010, quando ele aportou na Ilha do Retiro pela primeira vez. Contratado na esteira que trouxe o técnico Geninho para salvar o Sport de uma Série C que começava a mostrar sua cara feia e, quem sabe, subir à Série A, o jogador chegou com o status de craque. Vestiu a camisa 10, usou a braçadeira de capitão mas viu que não seria fácil. Sofreu, perdeu, foi injustamente criticado. Precisou sair e voltar novamente com o peso duplicado, ver esse mesmo peso ser triplicado para só então mostrar que sem ele dificilmente o Leão chegaria novamente à elite.

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Wladmir Paulino

A ascensão do Sport é a redenção do meia Marcelinho Paraíba. Redenção de um "pecado" cometido no agora longínquo 2010, quando ele aportou na Ilha do Retiro pela primeira vez. Contratado na esteira que trouxe o técnico Geninho para salvar o Sport de uma Série C que começava a mostrar sua cara feia e, quem sabe, subir à Série A, o jogador chegou com o status de craque. Vestiu a camisa 10, usou a braçadeira de capitão mas viu que não seria fácil. Sofreu, perdeu, foi injustamente criticado. Precisou sair e voltar novamente com o peso duplicado, ver esse mesmo peso ser triplicado para só então mostrar que sem ele dificilmente o Leão chegaria novamente à elite.

Depois da malfadada campanha na Série B do ano passado, Marcelinho pediu desculpas e voltou ao São Paulo. No meio do Campeonato Pernambucano, quando o Sport sofria para entrar no grupo que classificava para as semifinais, ele voltou. Prometeu que compensaria o balde de água fria do ano anterior com o tão aguardado hexacampeonato. Lutou o quanto pôde, mas a limitação - muito mais física do que técnica - do time rubro-negro o fez esbarrar no bem montado Santa Cruz de Zé Teodoro.

E como a quem muito é dado muito será cobrado, o paraibano foi apontado como vilão da nova decepção. Ainda mais ao protagonizar uma cena lamentável ao apito final do segundo jogo decisivo. Irritado com a marcação implacável de Éverton Sena, partiu para cima do adversário e levou a pior. Escorregou no gramado molhado e terminou apanhando bem mais que batendo. Dois dias depois pediu desculpas à torcida e prometeu que faria de tudo para levar o clube de volta à primeira divisão. Desta vez ele não iria embora, já que seu contrato previa duas temporadas. Novo "acordo" feito com a torcida e novas críticas. O confuso esquema montado pelo técnico Hélio dos Anjos deixou o time sem poder ofensivo. De quem era a culpa? Marcelinho Paraíba, embora estivesse sempre presente nas suadas vitórias, seja marcando gols ou deixando os companheiros em situação de fazê-los. O problema foi que na primeira derrota do Leão, ele ganhou destaque negativo. Quando o jogo com o Vitória ainda estava 0x0 no Barradão, pênalti para os pernambucanos. O camisa 10 foi lá e mandou nas nuvens. Hélio foi demitido. Mas muito torcedor perguntou se o paraibano iria junto com ele.

Chegou a ser vaiado em substituição. Não se abalou, pois seus 36 anos já haviam mostrado que a torcida é assim. Na péssima atuação do time contra o Boa ele foi o único a se salvar. Fez das tripas coração marcando, armando e tentando concluir. Mas nada. A glória estava marcada para três dias depois, na Ilha do Retiro, diante do Náutico. Com uma bela atuação e um gol marcado na vitória por 2x0 saiu ovacionado. Nem mesmo a perda de um dente durante o jogo o abalou. "Arranco todos os dentes para classificar o Sport, se for preciso. Depois a gente trabalha e bota de volta", disse às vésperas do jogo contra o Vila Nova, no dia 23 de agosto.

A essa altura, os rubro-negros estavam em sua melhor fase, quando chegaram a oito jogos de invencibilidade. E muito dessa façanha foi conseguida com o pé esquerdo de Marcelinho, pronto para ajudar nos momentos mais difícies. A primeira vez foi diante do ASA. Com duas cobranças de falta perfeitas ele garantiu o empate por 2x2. No segundo empate com o saco de pancadas Duque de Caxias ele mostrou serviço novamente. Deixou sua marca logo no começo do jogo, que salvaria o Sport do pior no segundo tempo, quando o lanterna apenas conseguiu a igualdade. Só que pouco depois, o time virou a moeda e teve vertiginosa queda de rendimento, que, por pouco, não custou a perda total das chances de acesso. Porém, a torcida não o cobrava mais. Via o esforço e sabia que por melhor que fosse o solista, a orquestra inteira teria que tocar afinada para a música sair perfeita.

E os acordes voltaram a soar bem aos ouvidos na mudança do maestro. Com o retorno de Mazola no lugar de PC Gusmão, o restante do time passou a acompanhar seu camisa 10. O resultado foram quatro jogos com 13 gols marcados e apenas três sofridos. Particularmente, Marcelinho deu um verdadeiro recital na goleada sobre o Americana por 4x0. Isso depois de sua escalação ser posta em dúvida, já que reclamara de dores musculares nos dias que antecederam o confronto. Votou a brilhar na vitória sobre o Paraná ao marcar o primeiro gol de um jogo que se mostrava quase afônico. Ao saber que os resultados dos adversários ajudaram foi comemorar com a torcida no fim do jogo e afirmou: "Há algumas rodadas, a gente dependia de resultados dos adversários. Agora não. Mas a gente tem que fazer a nossa parte". Também soube reconhecer os erros do time e isentou os treinadores que passaram. "O problema era nosso e não o treinador. A atitude é que mudou. Os treinadores que passaram por aqui eram bons, mas quando as coisas não andam em time grande a primeira cabeça que rola é a do treinador. E Mazola está de parabéns por ter resgatado a autoestima do grupo e por isso estamos jogando bem."

FICHA - Marcelo dos Santos nasceu no dia 17 de maio de 1975, em Campina Grande, na Paraíba. Começou a carreira no Campinense, onde conquistou o campeonato estadual duas vezes. Passou por Paraguaçuense e Santos, antes de ir para o Rio Branco, de Americana, em 1995. Foi lá que chamou a atenção do São Paulo, em 1997. Defendeu o time do Morumbi entre 1997 e 2000. Depois de um breve período no Marseille (França) e Grêmio, foi para o Hertha Berlim, da Alemanha, onde marcou 155 gols em 65 jogos e conquistou duas Copas da Liga Alemã. As atuações lhe valeram cinco convocações para a Seleção Brasileira - marcou um gol. Ainda atuaria pelo Flamengo, Coritiba e novamente São Paulo. Pelo Sport marcou 24 gols em 73 jogos.

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