Mazola

Mazola

A novela Sport na Série A teve suas crises de audiência como todo folhetim que se preze. Por isso, foram necessárias mudanças em sua autoria. E a diretoria do Sport promoveu nada menos que três, a última delas num claro gesto de desespero. Mazola Júnior foi o último autor, o que deu o toque final, mas sua fama, bem inferior se comparada aos outros companheiros, faria dele um azarão. Afinal, o time do Sport passou nas mãos de ninguém menos que Hélio dos Anjos, com seus três campeonatos pernambucano conquistados pelo time da Ilha no currículo; e Paulo César Gusmão, aprendiz de Wanderley Luxemburgo e responsável pela vitoriosa campanha da ascensão do Ceará. Mas quem mais teve - ou realmente o único a ter - o time nas mãos foi Uiles Geraldo Gonçalves de Freitas Júnior, nome que aparece na certidão de nascimento do treinador rubro-negro.

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Wladmir Paulino

A novela Sport na Série A teve suas crises de audiência como todo folhetim que se preze. Por isso, foram necessárias mudanças em sua autoria. E a diretoria do Sport promoveu nada menos que três, a última delas num claro gesto de desespero. Mazola Júnior foi o último autor, o que deu o toque final, mas sua fama, bem inferior se comparada aos outros companheiros, faria dele um azarão. Afinal, o time do Sport passou nas mãos de ninguém menos que Hélio dos Anjos, com seus três campeonatos pernambucano conquistados pelo time da Ilha no currículo; e Paulo César Gusmão, aprendiz de Wanderley Luxemburgo e responsável pela vitoriosa campanha da ascensão do Ceará. Mas quem mais teve - ou realmente o único a ter - o time nas mãos foi Uiles Geraldo Gonçalves de Freitas Júnior, nome que aparece na certidão de nascimento do treinador rubro-negro.

Mas técnico desconhecido - ele não é iniciante - sofre de um mal chamado desconfiômetro. Que não o afeta diretamente mas impregna-se nas arquibancadas e principalmente nas cadeiras de dirigentes. Um vacilo normal no meio de uma competição longa vira crise e a paciência para quem tem mais nome vira ansiedade. Sob essa condição ele assumiu o Sport após a derrota para o Vitória, no Barradão. Hélio dos Anjos, taxado de retranqueiro sofrera nas mãos da torcida mesmo nas vitórias, consideradas pouco convincentes e que chegaram a alçar o Sport à condição de líder da Série B. Na verdade, o comandante já entrara na competição nacional com o peso de ter perdido o hexacampeonato estadual, título que ele bradava aos quatro ventos do Twitter que o Sport conquistaria, mesmo quando o comandante ainda era Geninho.

Mazola debutou como interino no dia de um santo: São João, em 24 de junho. Mas não houve fogueira ou rojão que desse jeito. Apesar da postura teoricamente mais ofensiva, o time ainda jogava com o freio de mão puxado e saiu de campo com o único 0x0 de sua campanha, diante do insosso Criciúma. A partir da vitória sobre o ABC, o time viveu altos e baixos. Ora jogava bem e o técnico era elogiado. Ora jogaval mal e surgiam boatos de que seria demitido, isso depois de efetivado. Nessa gangorra terminou sendo substituído justamente depois da primeira vitória rubro-negra fora de casa, os 2x1 sobre o Paraná. Virou auxiliar técnico de PC Gusmão e não reclamou. Viu a equipe engatar bons resultados e depois entrar novamente numa fase horrenda, onde quase a classificação foi jogada fora. Num último desespero, os dirigentes recorreram ao fiel escudeiro. Ele não fugiu à luta e comandou a virada na reta de chegada ao escrever o final feliz.

ESTILO - Aos 46 anos, Mazola nunca escondeu sua intenção desde a primeira vez que assumiu o grupo rubro-negro: dar o impulso na carreira para se lançar como treinador nacionalmente. Para tanto, respira futebol 24 horas por dia. Quando não está comandando seus jogadores está em casa vendo jogos: do time em que trabalha e dos adversários. Os anos em que trabalhou na Europa (Itália e principalmente Portugal) foram responsáveis por dois cursos de treinador da Uefa, um deles tendo como mentor o português José Mourinho, seu ídolo. "É um técnico que tem uma conduta muito correta com o grupo de jogadores, que preza respeito e amizade". Coincidentemente, sua forma de tratamento com os atletas foi bastante elogiada pelo zagueiro Tobi, numa entrevista durante a semana que antecedeu o jogo do acesso.

Porém para chegar até aqui, o caminho foi tortuoso e não raras vezes o desviou de seu objetivo. Começou a carreira como jogador na Ponte Preta, clube de toda família de seu pai, dos 10 aos 18 anos. Foi ainda na Macaca que ganhou o apelido. Um dos treinadores disse que com o nome Uiles ele não chegaria a lugar nenhum. E o batizou Mazola pela semelhança com Altafini Mazzola, centroavante campeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e que depois naturalizou-se italiano, país que defendeu na Copa seguinte, em 1962. Rodou por alguns clubes de menor expressão até ir à Europa. Depois de seis temporadas em Portugal foi obrigado depois de dois anos lutando contra problemas no joelho. Tinha 28 anos.

Mesmo antes desse encerramento abrupto ele já tinha em mente virar treinador ao pendurar as chuteiras. Mas como foi mais rápido do que pensava tentou diversas ocupações: dono de lanchonete, de boate, funcionário público e recuperador de jogadores machucados numa grande clínica de São Paulo. Nesse meio-tempo chegou a ensaiar um retorno ao mundo da bola com o técnico Marco Aurélio, de quem foi auxiliar no Cruzeiro, em 2002. Mas o retorno definitivo veio apenas em 2009. Seu amigo Juninho Paulista, dono do Ituano, o chamou para comandar a equipe na Série D do Campeonato Brasileiro. Ficaria no ano seguinte, na Série A1 do Campeonato Paulista. A equipe brigava para não cair - feito alcançado - mas ele saiu. No início deste ano foi chamado pelo coordenador das divisões de base do Sport, Gustavo Bueno, para treinaro o sub-20 e conquistou o título.

Somando das duas passagens no comando do Sport, Mazola Júnior comandou o time em 16 jogos, com oito vitórias, três empates e cinco derrotas. O aproveitamento é de 56,25%. É o melhor entre os técnicos neste ano.

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