Primeiro do turno Brasileiro da série B

Campanha do Sport no primeiro turno

Nem grandes mestres da teledramaturgia brasileira pensariam num enredo tão rocambolesco quanto o desenvolvido pelo Sport entre os meses de maio e novembro. Dividido em 38 capítulos, Série B 2011 começou morna e feliz com o mocinho vivendo com a mocinha. No meio, o triângulo amoroso pegou fogo, com a mocinha (vaga na Série A) indecisa. Até que no penúltimo capítulo, o herói a conquistou para finalmente derrotar o antagonista no capítulo derradeiro. Personagens surgiram sem muito espaço e ganharam destaque na reta final.

fechar

Wladmir Paulino

Nem grandes mestres da teledramaturgia brasileira pensariam num enredo tão rocambolesco quanto o desenvolvido pelo Sport entre os meses de maio e novembro. Dividido em 38 capítulos, Série B 2011 começou morna e feliz com o mocinho vivendo com a mocinha. No meio, o triângulo amoroso pegou fogo, com a mocinha (vaga na Série A) indecisa. Até que no penúltimo capítulo, o herói a conquistou para finalmente derrotar o antagonista no capítulo derradeiro. Personagens surgiram sem muito espaço e ganharam destaque na reta final. Outros não caíram nas graças dos diretores mesmo com cachês milionários. A audiência sofreu pequenos abalos mas recuperou o fôlego no fim, ainda que num cenário completamente diferente.

O peso que o elenco do Sport carregava nos ombros no início da Série B poderia ser comparado ao da Ilha do Retiro. Afinal, a estreia aconteceu no dia 21 de maio, apenas seis dias depois de perder, pela segunda vez, a chance de ser hexacampeão pernambucano. A ascensão era considerada obrigação e reconhecida pelos atletas. O meia Marcelinho Paraíba pediu desculpas pela frustração e prometeu um final de ano diferente.

O primeiro compromisso foi na Ilha do Retiro. Sem brilho e com um futebol bastante confuso, o Leão foi salvo por um gol marcado logo aos dois minutos. O volante Daniel Paulista arriscou de fora da área, a bola desviou no meio do caminho e terminou no fundo das redes.

A mesma confusão repetiu-se na segunda rodada, fora de casa. Num primeiro tempo complicado tomou um gol do Guarani. Melhorou na etapa final e chegou ao empate com Paulista. Esse jogo mostrou uma característica da equipe que se repetiria em diversos jogos fora da Ilha: as duas etapas completamente diferentes. Apesar disso o time alcançou a liderança ao vencer o Barueri em casa, por 1x0, com direito a falha do goleiro e boa atuação do onipresente Marcelinho Paraíba.

O primeiro indício da tempestade que se aproximava - a boa campanha até então não convencia ninguém - foi o empate por 1x1 contra o Duque de Caxias. A equipe do Rio de Janeiro já mostrava que faria uma campanha vergonhosa mas ganhou um pontinho de presente com o resultado de 1x1 - foi o segundo ponto conquistado pelo Duque. Ao Sport valeu alguns decibéis de vaias e a queda para o quarto lugar. O técnico Hélio dos Anjos era o alvo pela postura interpretada como retrancada. Os gritos de burro e a pressão pela demissão chegaram ao auge no jogo seguinte. O Sport foi ao Barradão enfrentar o Vitória. Teve um pênalti no primeiro tempo, desperdiçado por Marcelinho Paraíba. O Leão da Barra fez dois no segundo tempo e jogou a pá de cal na vida do treinador, devidamente demitido.

A solução encontrada pela diretoria foi acionar o comandante dos juniores, Mazola Júnior, enquanto um treinador não era encontrado. O novato estreou contra o Criciúma com uma formação teoricamente mais ofensiva que seu antecessor. O mau futebol persistiu e o placar ficou no 0x0. O efeito do novo treinador fez-se presente quatro dias depois. O Leão quebrou a invencibilidade do ABC ao fazer 2x0. Foi a única vitória no mês de junho. Julho começou bem. O Sport foi ao Anacleto Campanella e arrancou o empate por 3x3 na base da raça, depois de estar em desvantagem por 3x1. Melhorou ainda mais pela convincente vitória sobre a Ponte. Entre esses dois jogos, os dirigentes tomaram duas decisões importantes. A primeira foi efetivar Mazola Júnior, que já convencera pelos bons resultados. A segunda foi dispensar o atacante Carlinhos Bala sob alegação de problemas técnicos e comportamentais.

No entanto, haviam várias pedras no meio do caminho. E seguindo o enredo de altos e baixos, o Sport voltou a vacilar fora de casa. O adversário era o Bragantino e, quando o coletivo ia bem, o individual falhou. Em dois vacilos do goleiro Rodrigo Calação - substituindo Magrão - os donos da casa venceram por 3x2. Porém, havia uma grande chance de reabilitação, já que o adversário seguinte seria o vacilante Salgueiro. Sem dar sopa para o azar os rubro-negros fizeram 3x0. A gangorra cairia na rodada seguinte, afinal, era jogo longe da Ilha. Logo aos três minutos, o Goiás abria o placar no Serra Dourada. Porém, depois dos dez minutos, o Sport tomou conta do jogo e parecia que ao menos esse capítulo seria escrito de outra forma. Foram pelo menos três grandes chances jogadas fora. O gol só saiu porque Carlos Alberto tentou cortar uma cobrança de falta de Marcelinho e terminou jogando contra o próprio patrimônio. Porém, uma cobrança de falta de Alan Bahia, aos 24 da etapa final manteve a escrita.

O mês de agosto seguiu a linha oscilante. Começou com aquela que talvez tenha sido a pior atuação leonina na competição. No Estádio do Melão, em Varginha, o Boa tomou conta do jogo e venceu com autoridade por 3x0. Assim, a pressão aumentou ainda mais para a partida seguinte, pois tratava-se de um clássico. O Sport receberia o Náutico, na Ilha do Retiro, em jogo adiado da 14ª rodada. Os rumores davam conta de que Mazola cairia se acontecesse um novo revés. Mas o time mudou da água para o vinho, foi superior em toda partida e venceu por 2x0. De quebra, ficou a um ponto do G4. O problema passou a ser justamente esse: quanto mais perto o Sport chegava do G4 mais desperdiçava as chances. Como nas novelas em que o mocinho é sempre atrapalhado, um ciclo vicioso que só termina no capítulo derradeiro. O Sport recebeu a líder Portuguesa e caiu por 3x2.

Seria preciso vencer fora para voltar a colocar pressão no grupo dos classificáveis. Só que jogar fora não foi uma especialidade do Sport. Marcelinho Paraíba ainda abriu o placar diante do Americana. Mas Fumagalli, um dos maiores ídolos da história recente dos rubro-negros, marcou os dois gols da virada. O segundo em cobrança de um pênalti bastante questionado pelos pernambucanos. As duas derrotas seguidas voltaram a colocar o técnico Mazola Júnior na berlinda. Era preciso ganhar. Só que havia um terrível detalhe: o jogo era fora de casa e diante de uma equipe que instalara-se no G4, o Paraná. Aos trancos e barrancos, o Leão finalmente comemorou longe da Ilha. Venceu por 2x1, com direito a gol contra de Júnior Urso.

Apesar do feito, os altos e baixos do time não convenceram a diretoria. O técnico Paulo César Gusmão foi contratado e Mazola seria seu auxiliar. A estreia foi promissora, com uma vitória por 2x0 sobre o Vila Nova, no último compromisso do primeiro turno.

A vitória sobre o Vila dava início à da melhor sequência de resultados. No jogo seguinte, mesmo com uma fraca atuação, Marcelinho Paraíba voltaria a salvar o time ao marcar os dois gols no empate por 2x2 com o Icasa. Essa sequência marcou o segundo triunfo longe de Pernambuco: 3x2 no Barueri. O único senão desta fase foi um novo empate com o Duque de Caxias por 1x1, desta vez no Raulino de Oliveira. Novamente o time fazia uma partida sofrível mas com o resultado salvo por Marcelinho Paraíba.

Apesar de ter jogado mal contra o Duque de Caxias, a partida seguinte, na Ilha do Retiro, poderia alçar os leoninos ao G4 em caso de um triunfo contra o Vitória. E ele veio em grande estilo. Numa partida impecável, o Sport fez 4x0 no rubro-negro baiano e passou a impressão de que, dali por diante, teria um lugar cativo no grupo que ascenderia à elite. Ledo engano. A novela, em mais uma espetacular reviravolta, reservaria o pior momento. O Sport entararia numa sequência de três derrotas seguidas, para Criciúma, ABC e São Caetano. Esta última com contornos de crueldade. Os adversários diretos perderam e o time tinha a grande chance de voltar ao G4, pois enfrentaria um oponente da zona de rebaixamento. Sem jogar absolutamente nada, a equipe de PC Gusmão caiu por 3x1, em pleno Adelmar da Costa Carvalho.

A partir daí começaram os rumores de que elenco e treinador não estavam se entendendo bem. Nem mesmo o heroico empate com a Ponte, em Campinas (1x1) aliviou as especulações. No mês de outubro o Sport jogaria sete vezes, vencendo apenas o Salgueiro, no Ademir Cunha, por um suado 1x0. Perdeu novamente em casa, para o Goiás (1x0) e culminou a péssima campanha ao cair diante do Náutico por 2x0, em jogo completamente dominado pelos alvirrubros. A essa derrota o técnico PC Gusmão não ficou imune. Foi demitido e, sem chance de trazer alguém de primeira linha os dirigentes apelaram para quem estava ali do lado. Mazola voltou.

E o efeito foi imediato. Apenas uma semana depois, o time mostrou realmente que a mudança no comando era necessária. Recebeu o Boa e tomou um gol no começo da partida. Mas bombardeou e no segundo tempo construiu a goleada por 4x1. Já era a reta final e

fechar