Segundo do turno Brasileiro da série B

Campanha do Sport no segundo turno

A vitória sobre o Vila dava início à da melhor sequência de resultados. No jogo seguinte, mesmo com uma fraca atuação, Marcelinho Paraíba voltaria a salvar o time ao marcar os dois gols no empate por 2x2 com o Icasa. A bonança também rendeu o segundo triunfo longe de Pernambuco: 3x2 no Barueri. O único senão desta fase foi um novo empate com o Duque de Caxias por 1x1, desta vez no Raulino de Oliveira. Novamente o time fazia uma partida sofrível mas com o resultado salvo por Marcelinho Paraíba.

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Wladmir Paulino

A vitória sobre o Vila dava início à da melhor sequência de resultados. No jogo seguinte, mesmo com uma fraca atuação, Marcelinho Paraíba voltaria a salvar o time ao marcar os dois gols no empate por 2x2 com o Icasa. A bonança também rendeu o segundo triunfo longe de Pernambuco: 3x2 no Barueri. O único senão desta fase foi um novo empate com o Duque de Caxias por 1x1, desta vez no Raulino de Oliveira. Novamente o time fazia uma partida sofrível mas com o resultado salvo por Marcelinho Paraíba.

Apesar de ter jogado mal contra o Duque de Caxias, a partida seguinte, na Ilha do Retiro, poderia alçar os leoninos ao G4 em caso de um triunfo contra o Vitória. E ele veio em grande estilo. Numa partida impecável, o Sport fez 4x0 no rubro-negro baiano e passou a impressão de que, dali por diante, teria um lugar cativo no grupo que ascenderia à elite. Ledo engano. A novela, em mais uma espetacular reviravolta, reservaria o pior momento. O Sport entararia numa sequência de três derrotas seguidas, para Criciúma, ABC e São Caetano. Esta última com contornos de crueldade. Os adversários diretos perderam e o time tinha a grande chance de voltar ao G4, pois enfrentaria um oponente da zona de rebaixamento. Sem jogar absolutamente nada, a equipe de PC Gusmão caiu por 3x1, em pleno Adelmar da Costa Carvalho.

A nova chance desperdiçada aumentou ainda mais as humilhações às quais a torcida rubro-negra passava frente aos rivais. Com o Santa bem encaminhado para subir da Série D à C e o Náutico no caminho inexorável rumo à elite, os leoninos foram presa fácil. A maior delas atendia pelo nome de Porteiro do G4, alusão à quase permanente sina de fincar raízes em posições próximas ao grupo de ascensão. A brincadeira passou das arquibancadas ao gramado. No empate com o Duque de Caxias, o atacante Kieza marcou um dos gols e comemorou fazendo o "Cara-crachá", bordão do personagem Severino, um porteiro, do humorístico Zorra Total.

A partir daí começaram os rumores de que elenco e treinador não estavam se entendendo bem. Nem mesmo o heroico empate com a Ponte, em Campinas (1x1) aliviou as especulações. No mês de outubro o Sport jogaria sete vezes, vencendo apenas o Salgueiro, no Ademir Cunha, por um suado 1x0. Perdeu novamente em casa, para o Goiás (1x0). Essa derrota foi a gota d'água. Torcedores comuns e integrantes da facção Torcida Jovem invadiram a área dos vestiários armados de paus e pedras. O saldo final foi de muita correria e o vidro frontal do ônibus que transporta os jogadores destruído. A reapresentação, dois dias depois, teve proteção de soldados da Polícia Militar.

A péssima campanha chegou ao ápice ao cair diante do Náutico por 2x0, em jogo completamente dominado pelos alvirrubros. A essa derrota o técnico PC Gusmão não ficou imune. Foi demitido e, sem chance de trazer alguém de primeira linha os dirigentes apelaram para quem estava ali do lado. Mazola voltou. E o efeito foi imediato. Apenas uma semana depois, o time mostrou realmente que a mudança no comando era necessária. Recebeu o Boa e tomou um gol no começo da partida. Mas bombardeou e no segundo tempo construiu a goleada por 4x1. Já era a reta final e ninguém na Ilha largava a calculadora e a secadora. Seria preciso vencer mais três dos quatro jogos da reta final e arrancar um empate. Some-se a isso a ajuda dos adversários, principalmente Americana, Bragantino e Vitória, que precisariam tropeçar pelo meio do caminho.

Só que depois do Boa o Sport tinha um dos compromissos mais difícies: a Portuguesa, no Canindé. Mesmo com o acesso já garantido era o jogo para a Lusa confirmar o título da Série B. E ninguém queria passar vergonha diante da torcida. Mesmo assim, o Sport foi valente e abriu o placar com Montoya. Mas os donos da casa conseguiram a virada. Mas Robston, aos 34 do segundo tempo, deixou tudo igual. Os pernambucanos ainda respiravam e os paulistas puderam comemorar seu título. A partir de agora, no entanto, apenas as vitórias manteriam a chama acesa. Foi sob essa pressão que o time entrou em campo diante de um adversário direto: o Americana, na Ilha do Retiro. E os jogadores responderam bem sob pressão, principalmente Marcelinho Paraíba, comandante - mais uma vez - da vitória por 4x0.

Um adversário batido mas outros dois ainda restavam. Igualmente jogando em seus domínios, Vitória e Bragantino também venceram, sendo que este último impôs um 4x0 com autoridade a ninguém menos que o Goiás, outra equipe que contava com chances - menores, mas existentes - de subir. O penúltimo capítulo, aquele em que tudo se encaminha para o clímax e consequente final feliz, seguiu esse roteiro à risca. Sport, Bragantino e Vitória voltariam a jogar em suas casas. O Sport diante do Paraná. O Bragantino contra o ASA e o Vitória tendo o São Caetano. Três times lutando pela última vaga na Série A tendo pela frente oponentes lutando para fugir da Série C.

Mesmo em câmera lenta o Sport jogou o suficiente para vencer por 3x0, novamente com os pés salvadores de Marcelinho Paraíba, amplificados pelo descontrole emocional do adversário, fragilizado com duas expulsões ainda no primeiro tempo. Em Salvador e Bragança Paulista a história escreveu-se de outra forma. O Bragantino tomou um gol, o ASA entrincheirou-se em seu campo de defesa e suportou até o fim. Já no Barradão, o time da casa abriu o placar aos 12 minutos. Mas o rascunho de vitória fácil virou um tremendo borrão nos minutos finais. O São Caetano virou a partida. A Ilha do Retiro explodia em festa e o Sport fincava os dois pés no G4.

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