Torcida Rubro-negra

A torcida que apoiou, questionou e que, no fim, invadiu

Apesar da melhor média de público da Série B, o Sport não conseguiu ter vida fácil em seu estádio como se imaginava. Com apresentações em príncipio decepcionantes, a Ilha do Retiro foi perdendo a sua força. É bem verdade que o Leão ficou invicto no começo da competição, mas as atuações não convenciam o torcedor que cobrava melhores apresentações principalmente na "Era Hélio dos Anjos". O estádio que já ficou conhecido como "La Bobonilha" em tempos anteriores deixava de ser témido pelos adversários. A Ilha do Retiro parecia esfriar.

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Thiago Wagner

Apesar da melhor média de público da Série B, o Sport não conseguiu ter vida fácil em seu estádio como se imaginava. Com apresentações em príncipio decepcionantes, a Ilha do Retiro foi perdendo a sua força. É bem verdade que o Leão ficou invicto no começo da competição, mas as atuações não convenciam o torcedor que cobrava melhores apresentações principalmente na "Era Hélio dos Anjos". O estádio que já ficou conhecido como "La Bobonilha" em tempos anteriores deixava de ser témido pelos adversários. A Ilha do Retiro parecia esfriar.

O panorama melhorou um pouco na primeira passagem do técnico Mazola Júnior. Com frases de efeito e com constantes convocações pela torcida, o treinador conseguia aos poucos fazer a Ilha ser témida novamente sob outro nome, "A Jaula", denominação utilizada pelo próprio Mazola durante a entrevista que antecedia a partida contra o Náutico na Ilha do Retiro. No confronto, vitória do Leão por 2x0 para delírio dos mais de 19 mil presentes.

Contudo, o encanto da jaula durou pouco tempo. Logo em seguida o Sport perdeu para a líder Portuguesa por 3x2 complicando a vida de Mazola no clube. O resultado negativo impediu que a equipe rubro-negra ficasse próxima dos ponteiros frustrando os 22 mil torcedores. Seria o início da queda de Mazola que seria trocado adiante por Paulo César Gusmão.

Sob o comando de PC, o Sport conseguiu quatro vitórias seguidas que empolgaram a novamente a torcida. Mesmo sem convocar a torcida como Mazola, o técnico do Sport conseguia conquistar o apoio do torcedor pelos resultados, sendo o 4x0 sobre o Vitória o mais significante deles, com 26.231 presentes, o recorde de público da Série B.

No entanto, após a goleada, o Leão se perdeu outra vez. Além dos maus resultados fora de casa, o Sport voltava a se perder na Ilha do Retiro. Foram três jogos sem vencer com direito a derrotas decepcionantes para São Caetano e Goiás, equipes que na época brigavam para não cair para a Série C.

A frustração diante Goiás e a nova chance perdida de entrar no G4 fizeram com que a relação time e torcida ficasse mais uma vez tensa e desgastada. Inconformados com o resultado, os torcedores invadiram a área reservada para imprensa e quebraram os carros dos jogadores e o ônibus do clube. Um dano não só financeiro como psicológico para o Sport.

O incidente fez com que a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) tivesse que intervir e proíbisse a entrada da Torcida Jovem nos estádios pernambucanos. A decisão antecederia o Clássico dos Clássicos que terminaria com a vitória do Náutico por 2x0 nos Aflitos. Parecia o fim do Sport na competição e o prólogo de novos protestos contra o clube.

De fato, um novo protesto veio, mas ao contrário do anterior, foi um protesto silêncioso. O treino vazio após a derrota para o Náutico simbolizava bem o sentimento do torcedor que parecia desistir do time. Nem mesmo a convocação de Mazola, que retornava ao time principal impediu a queda do público diante do Boa Esporte. Porém, em uma dessas ironias do futebol, a partida contra o Boa foi justamente o divisor de águas para a redenção rubro-negra. Na sua volta, Mazola conseguiu recuperar o bom futebol da equipe e empolgar a torcida na goleada por 4x1. Na entrevista após o jogo, Mazola, ao seu estilo, aproveitou para fazer mais uma convocação da torcida. O torcedor atendeu e a "A jaula" renasceu. Foram três jogos na reta final e três goleadas sobre Boa Esporte, Americana e Paraná, 11 gols marcados e apenas um sofrido. O Leão ressurgia na competição e nas arquibancadas.

O momento alto desse renascimento aconteceu com a invasão rubro-negra à Goiânia quando milhares de torcedores responderam ao pedido de mais uma convocação de Mazola e compareceram em peso à capital de Goiás. Foi a verdadeira invasão rubro-negra digna da feita à Santiago, no Chile, diante do Colo-Colo na Libertadores. Antes disso, os torcedores também foram em peso ao Aeroporto dos Guararapes para incentivar o time no embarque. Ao som do tradicional "cazá cazá", a torcida festejou os ídolos do time, além do próprio Mazola. A euforia foi tão grande que muitas lojas do aeroporto foram obrigadas a fechar suas portas.

Contudo, a festa não acabou, com o resultado positivo e o acesso obtido em Goiânia, a festa promete ser ainda maior no retorno da equipe previsto para a tarde deste domingo. A expectativa é que os rubro-negros compareçam em grande número e comemorem junto aos jogadores.

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