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Como
mostra de zelo e cuidado por parte do povo de Pernambuco, o Teatro de
Santa Isabel foi alvo de várias reformas, restauros e reparos ao
longo destes 150 anos de existência. Figurando como um dos prédios
mais importantes do Recife, este teatro de câmara foi projetado
em estilo neoclássico por um custo inicial de 240:000$000 (duzentos
e quarenta contos de réis) em 1840.
Sua construção levaria nove anos para ser concluída,
desde 1º de abril de 1941, quando sua pedra fundamental foi colocada.
Louis Léger Vauthier foi o construtor e idealizador do projeto.
Sofreu grande campanha contra a sua liderança ao projeto, pelo
fato de ser estrangeiro, mas em momento algum delegou a outra pessoa os
cuidados ao Teatro, mesmo quando do incêndio, não estando
mais em Pernambuco.
A história do Santa Isabel, desde este francês, foi sempre
assim. Permeada de amigos e colaboradores preocupados com o trajeto do
edifício que conta em seus detalhes a história do Recife.
Independentemente da polêmica sobre a forma ideal de se preservar
o Teatro, constata-se que as reformas aconteceram e contam uma bela parte
da memória cidade em diferentes fases. Confira abaixo.
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1869: Recuperação depois da tragédia
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1893 e 1916: Diferença escondida nos detalhes
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1936: Conforto e claridade na nova reforma
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1950: A grande reforma do centenário
- 1970: Restauro muda a cor interna do Teatro
- 1977: Teatro ganha ar condicionado
- De 1983 a 1985: Atenção aos detalhes,
mais uma vez
- De 1995 a 2000: Santa Isabel reabre as portas
1869
- Recuperação depois da tragédia
O incêndio de 19 de setembro de 1869 foi caracterizado como assombroso
na época. O primeiro lustre desapareceu com o incêndio, porém
o piano conseguiu ser salvo. O Teatro de Santa Isabel passou, então,
por grandes modificações.
Toda a estrutura antes de ferro, agora daria vez a outra de ferro batido.
As colunas, varandas, escada e o arco-do-cenário seriam de ferro
fundido e uma nova carreira de ogivas criaria o extenso Salão de
Pintura.
A orientação para a restauração do teatro
foi toda dada pelo próprio Vauthier, engenheiro e chefe de construção
do projeto original. Apesar de estar em Paris, suas recomendações
foram respeitadas nos menores detalhes. O engenheiro José Tibúrcio
Pereira de Magalhães assumiu os trabalhos de execução.
O Teatro ficou pronto em 1875, mas só foi reaberto em 16 de dezembro
de 1876. Já o Salão Nobre, só conseguiu ficar pronto
para reabertura em 7 de dezembro de 1877.
O segundo lustre já apareceu na reinauguração de
1876, com 152 bicos de gás carbônico, ainda pela falta de
energia elétrica à época.
Os críticos e a população do Recife daquele tempo
viram ressurgir o novíssimo Teatro Santa Isabel. Tinha ficado ainda
mais bonito e houve quem dissesse que o incêndio foi até
bom.
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1893
e 1916 - Diferença escondida nos detalhes
A reforma aconteceu para algumas reformas nas cadeiras e camarotes, para
a colocação de um novo relógio, e a compra de uma
mobília mais moderna para o Salão Nobre. Também foi
importante por trazer a idéia da Biblioteca do Teatro Santa Isabel
e a sua respectiva criação.
Em 1916, o lustre ganharia uma nova instalação, já
contando com a adaptação para luz elétrica. As canalizações
de água foram substituídas, junto com o assoalho do Salão
Nobre. Também foram construídos cinco sanitários
na parte posterior do Teatro.
O toilette das senhoras foi outra vez restaurado e as divisórias
dos 6 compartimentos de cada paraíso (as gerais), com 8 banquinhos
cada um, retiradas.
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1936
- Conforto e claridade na nova reforma
O ano traz pequenos reparos para o Teatro de Santa Isabel. Inclui a substituição
do terceiro lustre, colocado no ano de 1916. Já tinha adaptação
para receber luz elétrica e era de estilo moderno, em desacordo
com o estilo do edifício.
O novo lustre de 1936, foi adquirido à Irmandade do Espírito
Santo, contando com 80 lâmpadas. Novas cadeiras foram postas na
platéia, em substituição às cadeiras com encosto
e assento de palhinha.
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1950
- A grande reforma do centenário
Deu início à fase do teatrólogo pernambucano Valdemar
de Oliveira. O Teatro ficou fechado de 14 de setembro de 1948 até
18 de maio de 1950 para dar lugar à reforma. As obras estiveram
sob a direção geral do engenheiro Abdias de Carvalho, diretor
de obras, e do Engenheiro Ayrton de Almeida Carvalho, representante do
Patrimônio Artístico Nacional e de Valdemar de Oliveira,
diretor do Teatro Santa Isabel.
Os reparos de maior consideração foram a substituição
do piso do terraço pelo mesmo material nobre que antes nele era
usado, a restauração do Salão Nobre, douramento das
molduras, substituição mais uma vez do mobiliário
pelas antigas peças de jacarandá, encontradas em vários
lugares.
Foram incluídos três novos lustres de cristal, novas plaquetas
de assinalamento e a construção de um ciclorama (elemento
cênico de iluminação) fixo. Além disso, houve
a construção de um gabinete para a Direção.
A platéia ganhou 302 novas cadeiras, em couro verde oliva, laqueadas
e estofadas nas frisas e camarotes. A pintura externa (rósea) e
a pintura interna (bege) foi refeita, a fiação foi embutida
e oito possantes refletores foram postos para iluminar o edifício.
O Teatro ganhou de volta a extinta Biblioteca do Teatro de Santa Isabel,
recolocada pelo próprio Valdemar de Oliveira. Mais tarde, a biblioteca
seria descida para a sala contígua à bilheteria.
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1970
- Restauro muda a cor interna do Teatro
Restauro no qual a pintura interna do Teatro de Santa Isabel mudou de
bege para azul claro. O pano de boca em tom bordô, doado pelo Prefeito,
ao recém-inaugurado Nosso teatro sede do Teatro de
Amadores de Pernambuco, foi substituído por outro em veludo azul.
As novas passadeiras também contavam com veludo azul na platéia.
O ciclorama foi consertado e as poltronas foram recobertas em vulcouro,
cor havana. Entre os feitos de maior importância, figurou também
a instalação de uma nova rede de proteção
contra incêndio.
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1977 - Teatro ganha ar condicionado
O restauro de 1977 foi motivo para a instalação de um sistema
central de ar-condicionado, pelo qual o Teatro passou dois anos fechados.
Um novo piano Yamaha, com cauda inteira, foi comprado para o Teatro e
o Salão Nobre sofreu uma revisão. O madeiramento central
do palco foi substituído e a alcatifa grafite dos corredores e
escadas foi toda trocada.
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De
1983 a 1985 - Atenção aos detalhes, mais uma vez
O Teatro de Santa Isabel passa por vários restauros sob a direção
geral da atriz Geninha da Rosa Borges. O Salão Nobre sofreu restauração
total, junto a todos os camarins. Foi criada uma sala de cursos e um bebedouro
foi colocado para os atores no palco.
A Sala Louis Léger Vauthier foi instalada para pesquisa e uma rampa
pró-paraplégicos foi construída, entre inúmeros
pequenos consertos e reparos feitos na estrutura do Teatro.
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De
1995 a 2000 - Santa Isabel reabre as portas
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN), técnicos da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ)
e Tribunal de Contas do Estado, em parceria com a Prefeitura da Cidade
do Recife, respondem por essa reforma no Santa Isabel.
Foram encontradas oito camadas de tinta, no resgate do original desta
última restauração. A intenção é
resgatar o Teatro Santa Isabel, nos moldes de Louis Léger Vauthier.
Da cor principal nesta restauração, o bordô de Vauthier,
pode-se dizer que estaria o mais próxima possível do original.
Também foram restaurados o azul acimentado, o dourado e o tom creme
original do Teatro neste rigoroso restauro. Os dois tons de rosa da fachada
também foram renovados com fidelidade. Entre os materiais, estão
a madeira de lei brasileira e a chapa de latão estampado, resistente
à corrosão. Os responsáveis pela restauração
do Santa Isabel procuraram ser o mais original possível para a
nova cara do Teatro.
O antigo Theatro de Pernambuco conta agora com um diferencial tecnológico
nas suas instalações: uma nova mesa de som computadorizada
de 24 canais, que permite uma alteração rápida e
eficiente, e uma hipervalorização do sistema de luz, o que
é fundamental para um teatro. Seu fosso de orquestra, com capacidade
de 35 a 40 pessoas, também foi restaurado.
A platéia contará com novas cadeiras, todas refeitas com
veludo, na concepção das cadeiras originais de Vauthier.
A utilização do veludo bordô, nas cadeiras, em tom
escuro, foi estratégica para que a luz não refletisse no
artista, atrapalhando a interpretação e apresentação
do mesmo.
O paraíso, lugar mais barato do Teatro, era destinado aos estudantes,
poetas e intelectuais de classe baixa da época. As famílias
utilizavam os camarotes, e os homens solteiros ficavam na platéia.
Um teatro de câmara, de pequenas dimensões, moldado para
espetáculos refinados e artesanais da época. Teatro de qualidade
ideal para espetáculos que explorem a expressão facial.
Tem a melhor implantação do Brasil se comparado ao teatros
de mesma época, como o São Pedro de Porto Alegre. É
intencionalmente uma casa, com suas janelas. A fachada foi construída
independentemente da parte interna do Teatro. Comporta 860 lugares para
o público.
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