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Milho ganha a mesa do pernambucano

O dia ainda não despertou quando começam a chegar os primeiros caminhões carregados com um dos produtos mais preciosos da estação. Kombis e caminhonetes se aglomeram e os chamados atravessadores anunciam seus preços numa rima de ofertas. A partir daquele momento, a preciosa especiaria da culinária junina parte em sua peregrinação pelas cozinhas e mesas de milhões de pessoas.

A temporada de caça ao milho está aberta. A cena se repete há décadas na Companhia de Abastecimento e de Armazéns Gerais do Estado de Pernambuco (Ceagepe) e, embora seja pouco conhecida pela maioria das pessoas que desfruta das peculiaridades do milho e seus derivados, simboliza o princípio da safra mais festiva de todas: a safra de São João.

Vendida em um parâmetro de medida bem popular nas feiras livres, a espiga é comercializada pela ‘mão’. Uma ‘mão’ de milho é a soma de 50 espigas e seu preço na Ceagepe oscila entre R$ 3 e R$ 10. A diferença é motivada tão somente pela qualidade do produto. Conta então a experiência do comprador (e a sinceridade do vendedor) em saber quais os milhos ideais para serem cozidos, assados, ou mesmo para servirem de ingrediente principal de uma pamonha ou canjica.

Há 47 anos no mercado da venda de espigas de milho, José Manoel da Silva garante que entende do assunto. “Cada tipo de espiga serve para um prato diferente”, explica ele que estava vendendo a ‘mão’ por um preço médio: R$ 7.

Outro atravessador do local, Aguinaldo Felipe de Melo, conta que, há hoje um milho bastante comercializado. Conhecida como 10,51 (lê-se dez cinqüenta e um), essa espécie foi produzida em laboratório (mais um produto da engenharia genética) e seu tempo de amadurecimento é mais rápido, o que rende maior produtividade ao agricultor. Aguinaldo explica ainda que, para selecionar as melhores espigas, é aconselhável que os compradores cheguem cedo, a partir das 4h. De sacolas cheias, é hora de partir para a cidade.

E assim o milho e todo o arsenal de pratos que formam a ceia de São João entram em circulação. Atualmente, na nova ‘filosofia’ da praticidade acima de tudo, é bem mais fácil encontrar quem compre do que quem faça. E se você se identificou com a segunda categoria, é bom conferir as próximas dicas. Padarias, supermercados e delicatessens são os maiores vendedores dos produtos da ‘ceia junina’ que, além de incluir o milho e suas receitas, concerne toda aquela sorte de bolos que vai do tradicional pé-de-moleque até o pouco comum bolo de batata-doce .

Bastante procurada nesta época do ano, a Casa dos Frios (particularmente a das Graças) é famosa por suas receitas exclusivas, guardadas a sete chaves pela herdeira das receitas, a proprietária da loja, Fernanda Monteiro Dias. Da pamonha ao bolo de Santo Antônio, a delicatessen produz quase tudo com a experiência de cozinheiras que estão há mais de dez anos na casa. Em junho, a Casa dos Frios chega a comprar uma tonelada de massa de mandioca e um caminhão de milho para conseguir equilibrar sua oferta à demanda dos clientes.

No caso das pamonhas, milhos cozidos e assados, uma opção que já faz parte do mercado da culinária junina são as barracas de ruas. Nessa situação, confie nas pessoas mais velhas que tenham mais tempo ‘de praça’, ou seja, que já trabalham há alguns anos no mesmo ponto. E atenção: as pamonhas de rua têm fama de serem as melhores. Custam, em média, R$ 1 cada.

Já as quituteiras aproveitam a época para armar a cozinha de massa de mandioca, leite de coco e outros ingredientes típicos da família dos bolos juninos. A doceira Fátima Melo lembra que já chegou a vender 50 bolos, em um mesmo dia. “Os mais procurados sempre são pé-de-moleque e bolo de milho, mas todos vendem muito bem”, afirma. Apesar de produzir centenas de bolos para sua loja, Fátima admite que, em casa, prefere descansar um pouco e, na hora da canjica e da pamonha, diz que a solução é encomendar. E assim se fecha o ciclo do mercado de quem compra, vende e, claro, come.

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O arraial está armado


Assim como toda festa no Brasil, o São João nunca é comemorado em somente uma data oficial. Até porque, quando o assunto é festa, sempre sobra entusiasmo e falta contentamento. Pelo menos em Pernambuco, a festa junina começa bem antes do dia 24 e termina alguns dias depois com a comemoração do dia de São Pedro, na noite de 27 para 28 de junho. Portanto, se você ainda não organizou seu arraial, é bom conferir algumas sugestões do Em Cartaz para montar logo a sua festa. Das comidas ao preço de fogos de artifício, o serviço pinça alguns locais e nomes para quem curte a festa do pé-de-serra, da canjica e do barulho do rojão.

MONTE SUA PALHOÇA

COMIDAS:

Espigas de milho

Onde comprar: Ceagepe, Mercado de São José e feiras livres. Preço: entre R$ 3 e R$ 12 a mão, com 50 milhos cada (o preço depende da qualidade do milho e da quantidade de intermediários por que ele passa)


Delicatessens:

Além do Pão – Rua Prof. Augusto Lins e Silva, 211, Setúbal. Fone: 3462.5268

Canjica: R$ 1,30 pote de 150g

Pamonha: R$ 1,30

Bolos, todos por R$ 8,46 o quilo: Pé-de-moleque, bolo de milho, Souza Leão, bolo de macaxeira, bolo de mandioca e fubá

Casa dos Frios – Av. Rui Barbosa, 412, Graças. Fone: 3421.1259

Canjica: R$ 7,90 o quilo (geralmente é vendida em uma forma de 430g)

Pamonha: R$ 1,50

Bolos (preço por quilo): Pé-de-moleque e Souza Leão: R$ 8,50

Bolo de milho: R$ 7,90

Bolo Bacia: R$ 11,90

Santo Antonio: R$ 12,90

Bolo de macaxeira: R$ 11,90

Diplomata – Av. Conselheiro Aguiar, 2154, Boa Viagem. Fone: 3467.3739

Canjica: R$ 8,90 o quilo

Pamonha: R$ 1,20

Bolos (preço por quilo): Pé-de-moleque, Souza Leão e bolo de macaxeira: R$ 9,50

Bolo de milho e de mandioca: R$ 8,50


Doceiras:

Célia Galvão – pé-de-moleque, bolo de milho, Souza Leão. Contato: 3462.3468. Preço: R$ 10 o quilo

Fátima Melo – pé-de-moleque, bolo de milho, macaxeira, batata-doce, Souza Leão. Contato: 3428.4408. Preço: R$ 7,90 o quilo

Luciana Parísio – pé-de-moleque, bolo de milho, Souza Leão. Contato: 3478.1413. Preço: R$ 10 o quilo


SOM

Para alugar som mecânico:

Marconi Som, 9961.1407. Preço médio por noite: R$ 100

C.H. Som, 9957.8495. Preço médio por noite: R$ 150


Para contratar banda:

Trio Só Nós Três. Contato: 3421.8393 (Lula) ou 9142.9653 (Lulu ou Aninha)

Zabumba Velha do Badalo. Contato: 3421.8393 (Lula) ou 9142.9653 (Lulu ou Aninha)

Trio Sertanejo. Contato: 3446.3605 (Belarmino)

Os Meninos do Nordeste. Contato: 3228.7427 (Dema)

Forró Pé-no-Chão. Contato: 3447.2030 (Ferreirinha)


FOGOS DE ARTIFÍCIO*

Bomba de rojão: R$ 1 a dúzia

Track de massa: R$ 4 o pacote

Cobrinha: R$ 2

Vulcão: de R$ 1,50 a R$ 8

Aliada: R$ 3 caixa com 100 peças

Árvore de Natal: R$ 7 com seis peças

Chuvinha da Terra: R$ 2

Chuva de Prata: de R$ 3 a R$ 8


*Média obtida em pesquisa nas barracas próximas à Delegacia de Boa Viagem