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O Estado de Pernambuco formou-se absorvendo
tradições de diversas raças: negro, o índio,
o europeu, de cada um dos povos que se
miscigenaram para gerar uma cultura única.
Traços dessa mistura de raças podem ser
encontrados nos usos e costumes característicos
da região. A cultura da civilização do
açúcar, das terras áridas do Sertão, do
sincretismo religioso está presente na música,
na literatura, nas artes plásticas, nos
temperos. Em todas essas manifestações há
traços fortes de uma
"pernambucanidade" latente -
construída ao longo de séculos de história.Cores, sons, movimentos, alegria estão
presentes em todas as manifestações
folclóricas, cuja maior expressão são danças
e os ritmos. O frevo é o mais conhecido. Com
origens nas velhas polcas e dobrados, é
executado por uma orquestra em que predominam os
metais. Dançá-lo é "fazer o passo",
um agitar de pernas e braços, um descer e subir,
um rodopiar constante, alegre e rico.
O maracatu vem da África,
baseado nas cerimônias de coroação dos reis do
Congo. Entre seus personagens estão reis,
rainhas, príncipes, vassalos e a dama do passo.
O ritmo é marcado apenas com percussão, que
produz o "baque virado" e instiga à
dança. Outro ritmo pernambucano, caboclinho, foi
originado nas cerimônias indígenas. É uma
dança sobre as pontas dos pés, com
participantes vestidos de tanga e cocares e
usando arcos e flechas para marcar o ritmo, que
é executado por pífanos e percussão. As
quadrilhas, cirandas, mamulengos, pastoril,
reisado, bumba-meu-boi, xaxado, bacamarteiros
também fazem parte do leque de danças e
folguedos pernambucanos.
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Folguedos
Maracatu Nação ou
Baque-virado
Com a abolição da
Escravatura, a coroação dos Reis do Congo
perdeu a sua razão de ser, pois não existia
mais a necessidade daquela "autoridade"
para manter a ordem e a subordinação entre os
negros que lhe eram sujeitos. Era no pátio das
igrejas que se realizava a coroação dos Reis
Negros, cujo cortejo, evoluindo através dos
tempos, chegou até nossos dias, destacando-se o
grupo das festas de Reis Magos (bumbas-meu-boi,
cheganças e pastoris) e entrando para os
festejos carnavalescos. A palavra MARACATU,
provavelmente, origina-se de uma senha combinada
para anunciar a chegada de policiais, que vinham
reprimir a brincadeira. A senha era anunciada
pelos toque dos tambores emitindo o som:
maracatu/maracatu/maracatu.
Na linguagem popular, a palavra
maracatu é empregada para expressar confusão,
desarrumação, fora de ordem, dando respaldo à
pressuposta da origem dessa palavra. O Maracatu
Nação ou Baque-Virado tem, como seguidores, os
devotos dos Cultos Afro-Brasileiros da linha
Nagô. A boneca usada nos cortejos chama-se
Calunga. Ela encarna a divindade dos orixás,
recebendo em sua cabeça os axés e a veneração
do grupo. A música vocal denomina-se toada e
inclui versos de procedência africana. Seu
início e fim são determinados pelo som de um
apito. O instrumental, cuja execução se
denomina toque, é constituído pelo gonguê,
tarol, caixa de guerra e zabumbas. É formado por
uma verdadeira corte real com rei, rainha,
vassalos, condes, condessas, etc.
Maracatu Rural ou de
Baque-solto
Também é chamado de Maracatu
de Orquestra ou Baque-Solto, tem suas origens na
segunda metade do século passado e deve ser uma
transfiguração dos grupos chamados Cambindas
(brincadeira masculina, homens travestidos de
mulher). O Maracatu Rural é uma espécie de
fusão de elementos dos vários folguedos
populares que vêm às ruas das cidades próximas
aos engenhos de açúcar. Um ritmo rápido de
chocalhos, percussão e acelerada do surdo,
acompanhada da marcação do tarol, do ronco da
cuíca, da batida cadenciada do gonguê, do
barulho característico dos ganzás, com solo de
trombone e outros instrumentos de sopro que,
juntos, dão ao conjunto características
musicais próprias e bem diferenciadas dos
maracatus tradicionais. Os caboclos de lança
vêm abrindo espaço entre a multidão, com suas
lanças de mais de 2 metros de comprimento,
feitas de madeira com uma ponta fina e uma enorme
cabeleira de papel celofane. Traz, como destaque,
em sua indumentária, a gola bordada e o surrão.
A gola de sua fantasia e feita em tecido
brilhante, de cores vivas. O surrão é uma bolsa
confeccionada em couro de carneiro, cobrindo uma
estrutura de madeira, onde são presos chocalhos.
Tribos de
Caboclinhos
Uma das mais belas
manifestações do carnaval Pernambucano está na
evolução das Tribos de Caboclinhos que passam,
quase em disparada, pelas ruas do centro e do
subúrbio ao som de um pequeno conjunto, a
produzir um estalido característico na
percussão da seta contra o arco, com seus
estandartes esvoaçantes e a beleza de suas
fantasias. Se no maracatu está toda a herança
das nações de negros, no caboclinho encontra-se
a presença do índio que mantém, durante o
carnaval, as suas danças e lendas que contam a
glória dos seus antepassados. Caboclinhos são
agrupamentos de homens e mulheres, trajando
vistosas cores de penas de avestruz e pavão, com
saias de penas, trazendo adereços nos braços e
tornozelos e colares. Desfilam fazendo ricas
evoluções ao som dos estalidos secos das
preacas, que são os arcos, abaixando-se e
levantando-se com agilidade, como se tivessem
molas nas pernas, ao mesmo tempo que rodopiam,
apoiando-se nas pontas dos pés e nos
calcanhares. Os músicos geralmente são em
número de quatro. O conjunto é formado pela
inúbia (um pequeno flautim de taquara),
caracaxás ou mineiros, tarol e surdo.
Ciranda
"Para dançar ciranda,
juntamos mão com mão, formando uma roda e
cantando uma canção". O verso traduz em
poucas palavras um dos ritmos mais
característicos da cultura pernambucana. Segundo
a maioria dos historiadores, a ciranda tem origem
em Portugal. O certo é que a dança começou a
se desenvolver no Brasil, na cidade de Goiana(a
62 km do Recife), se transformando, em seguida,
em um ritmo característico do litoral. A praia
é o lugar adequado para se fazer uma roda e
brincar, de preferência, com pés descalços. A
ciranda é comandada por um mestre ou mestra, que
tira os versos, entoada por um surdo, tarol,
ganzá e sax, e um coro. Na roda, homens e
mulheres exercitam sua sensualidade em círculos.
Uma das cirandeiras mais famosas é Maria
Madalena Correia do Nascimento, a Lia de
Itamaracá. "Ciranda acompanha as ondas do
mar, sempre com o pé esquerdo", diz Lia. A
artista ganhou fama na década de 70, quando
gravou o seu primeiro LP.
Ursos do carnaval
Uma das brincadeiras mais
estimadas no Carnaval do Recife é a La Ursa,
cujas origens encontram-se nos ciganos da Europa
que percorriam a cidade com seus animais, presos
numa corrente, dançando, de porta em porta, em
troca de algumas moedas, ao som da ordem:
"dança la ursa". A figura central é o
urso, geralmente um homem vestindo um velho
macacão coberto de estopa, veludo ou pelúcia
com sua máscara de papel-machê pintada de cores
variadas, preso por uma corda na cintura, seguro
pelo domador. A orquestra do urso é geralmente
formada por sanfona, triângulo, bombo,
reco-reco, ganzá, pandeiro; havendo outras mais
elaboradas nas quais aparecem violões,
cavaquinhos, clarinetes e até trombones.
Bois do Carnaval
O auto do Bumba-Meu-Boi é um
drama pastoril, ligado à forma de teatro, vindo
das festas de Natal e Reis. É um espetáculo de
arena, numa improvisação e tradicionalismo,
assemelhando-se à técnica empregada pelos
comediantes da velha comédia italiana. Demora,
normalmente oito horas, devido, sobretudo à
repetição de palavras e passos. Seus
personagens são classificados em 3 categorias:
humanos, animais e fantásticos. A orquestra,
originalmente, é formada pelo zabumba, ganzá e
pandeiro. Presente no ciclo natalino,
apresenta-se no período carnavalesco, como Boi
do Carnaval, vem às ruas do Recife num colorido
e coreografia próprios para os dias de folia.
Bois, Burras, Calús, Mateus, Catirinas,
Sebastião, Mané Pequenino, babau, ganham as
ruas do subúrbio durante o carnaval e, sob o
comando do Capitão, no seu cavalo-marinho, põem
em polvorosa a criançada e fazem a alegria das
classes mais humildes.
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