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O Recife teve seu primeiro registro histórico em 12 de março de 1537, quando o então donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, recebeu a carta de doação da Coroa Portuguesa: o chamado Foral de Olinda. Na carta, o lugar era citado como um ancoradouro de navios, onde mais tarde um lugarejo daria origem à futura capital de Pernambuco. O nome do bairro e da cidade se referia aos recifes de arenito, formação rochosa marinha presente em toda costa pernambucana . Na frente do bairro, os recifes chegam a formar um porto natural.

O Farol de Olinda serve para dar uma idéia de como era a paisagem da época. No documento, lavrado em 24 de abril 1593, Duarte Coelho faz boas referências geográficas da cidade. Muitas foram as denominações para o lugarejo. Primeiro é chamado de Recife dos Navios, nome que comprova a escolha do porto natural. Até esta denominação se firmar, a região também foi conhecida como Porto de Santelmo, Arrecife de São Miguel e povoado do Corpo Santo. Em 1630 a cidade ganha impulso quando os holandeses, através da Companhia das Índias Ocidentais, resolvem ocupar a região Nordeste do Brasil. Incendeiam a capital da província, que na época era Olinda, e tornam o Recife ponto de escoamento das novas matérias-primas da colônia portuguesa.

O conde Maurício de Nassau chega à cidade para comandar a Companhia da Índias e utiliza o conhecimento dos flamengos em pontes e aterramentos para dar nova paisagem ao Recife dos Navios. Foi ele quem realizou o primeiro plano urbanístico do Brasil. Para se deslocar do Recife, para as ilhas de Santo Antônio e o continente era necessário pegar balsa. Esse transporte era cobrado, o custo do uso da balsa chega a triplicar em três anos. Nassau programa a construção de uma ponte e inaugura com uma grande festa, em 28 de fevereiro de 1644, a primeira ponte do Brasil. Em 1654, os holandeses são expulsos do Brasil e no Bairro do Recife se contabilizam 300 prédios. São casas térreas, sobrados com um ou dois andares, mirantes, a Igreja do Corpo Santo, o Palácio do Governo, a Alfândega, cadeia, provedoria, Casa da Câmara, a Sinagoga dos Judeus e armazéns.

Na rua, que viria se chamar de Rua do Bom Jesus, foi construída a primeira sinagoga das Américas. A rua sempre foi importante para o lugarejo, pois era passagem para Olinda. Por causa do templo, foi conhecida como Rua dos Judeus. Por causa da Inquisição, Rua da Cruz, e depois Rua dos Mercadores. O Bairro do Recife impressionou, anos depois, em agosto de 1836, o cientista Charles Darwin: "A cidade foi construída sobre bancos de areia estreitos e baixos, separados uns dos outros por canais rasos de água salgada". Novamente é o porto natural e sua formação rochosa o que desperta grande interesse. "Duvido de que em todo o mundo haja outra estrutura natural que apresente aspecto tão artificial (...) vários quilômetros em absoluta linha reta paralela à costa e pouco distante desta (...) como um quebra-mar construído pela mão dos cíclopes".
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