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Anavantu, anarriêr... Na palhoça coberta
com folha de coqueiro e enfeitada de bandeiras multicoloridas está
acontecendo um casamento matuto. Lá fora, uma criança pula a fogueira
e Maria Chiquinha ainda espera, com as preces para Santo Antônio,
encontrar um marido. Cheio de tradições que não se apagam com o
tempo, o ciclo junino é cercado de lendas, simpatias e, sobretudo,
festa. Muita festa. Confira agora um pouco dos elementos que fazem
parte de um das maiores folguedos populares do País.

Adivinhações para a
noite de São João
Passe
um ramo de manjericão na fogueira e atire-o ao telhado. Se na manhã
seguinte o manjericão ainda estiver verde, o casamento é com moço.
Se murchar, é com velho.

Introduza
uma faca virgem numa bananeira. Depois disso, você tem que voltar
pra casa sem olhar para trás. No dia seguinte, aparecerá na faca
a inicial da noiva ou do noivo. Se não tiver nada, paciência: não
vai ter casamento.

Ponha
uma bacia ou tigela com água e olhe para dentro, rezando a Salve
Rainha; deve aparecer a imagem do seu futuro par. Se nenhuma imagem,
aparecer é porque você morrerá neste mesmo ano. Pode-se também fazer
a experiência olhando para o fundo de uma cacimba.
Coloque
duas agulhas em uma bacia d’água. Se elas se juntarem, indicam casamento.
Escreva em papeletes os nomes de várias pessoas. Enrole os papéis.
Depois coloque-os numa vasilha com água; o papel que amanhecer desenrolado
indicará o nome da noiva ou noivo.
Separe
três pratos, um sem água, outro com água limpa, e outro com água
suja: quem faz a experiência aproxima-se com os olhos vendados e
põe a mão sobre um deles; o prato sem água não dá casamento, o de
água suja indica que o casamento será com um viúvo, e o de água
limpa, com solteiro.

Ponha
uma moeda de um real na fogueira e no dia seguinte a recolha, entregando
ao primeiro pobre que aparecer. O nome do pobre é o nome do noivo.
Passe
sobre a fogueira um copo virgem contendo água. Depois amarre a aliança
de uma mulher casada enrolada em um fio de cabelo. Reze uma Ave
Maria. Tantas são as pancadas dadas pelo anel nas paredes do copo
quantos os anos que o pretendente terá de esperar para se casar.

Fonte: Adaptado do Dicionário do Folclore
Brasileiro, de Luís Câmara Cascudo.
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