
Foram cinco anos de choradeira, decepções, revoltas e muita, muita luta. Porém, a volta do Sport à primeira divisão do futebol brasileiro veio até com relativa facilidade se a caminhada do Leão for observada com frieza. Em apenas uma das 38 rodadas da competição, o time da Ilha ficou de fora do grupo dos quatro classificáveis, quando perdeu para o Brasiliense por 2x0, na 17ª jornada. A conquista definitiva veio com os 3x0 em cima do Brasiliense, no último dia 10 e a derrota do Coritiba para o Atlético Mineiro, por 3x2, no dia seguinte. Agora é festejar e, a partir de janeiro, iniciar o trabalho para se manter no topo.
A campanha rubro-negra começou arrasadora. Fora de casa, o time, ainda comandado por Dorival Júnior, curtia a ressaca do título pernambucano conquistado em cima do Santa Cruz após uma dramática decisão por pênaltis, e venceu o Avaí por 2x1, na Ressacada. Daí seguiram-se mais três triunfos que alçaram a equipe ao topo da tabela: Gama, Santo André e Remo. O primeiro empate veio no dia do aniversário de 101 anos. Com dois jogadores a menos - o zagueiro Kléber e o meia Wellington foram expulsos - o Sport segurou o empate por 1x1.
Ao primeiro empate seguiu-se a primeira derrota. No Machadão, o Sport caiu por 2x0 frente ao América-RN. Essa partida também marcou o início da oscilação da equipe, que perduraria até a troca de Dorival Júnior por Givanildo Oliveira. Após dois jogos, o Leão voltou a vencer, novamente fora de casa. A vítima foi o Paysandu, que caiu por 1x0, gol de Fumagalli. Depois, seguiram-se quatro jogos sem triunfar. Foi aí que o trabalho de Dorival Júnior caiu em descrédito de uma vez frente à torcida, embora os jogadores sempre tenham procurado defender seu comandante. Desses quatro jogos, duas derrotas dolorosas: 2x1 para o CRB em plena Ilha do Retiro; e outro 2x1, este de virada, frente ao rival Náutico, nos Aflitos.
A recuperação veio tímida. Depois da derrota para o timbu, o Sport sofreu para vencer o frágil São Raimundo, no Recife, por 1x0. O gol foi marcado pelo zagueiro Durval. Seguiu-se um empate (2x2) fora de casa, contra o Ceará, em que o Sport foi prejudicado ao ter um gol legal do atacante Marco Antônio, anulado. No entanto, quando parecia que o time ia embalar novamente, outro banho de água fria: a segunda derrota em casa. Outro 2x1, desta vez para o Paulista. Foi a gota d'água para a torcida pedir, em uníssono, a cabeça do treinador. Nem mesmo a vitória seguinte por 2x0 contra o Ituano, aliviou a tensão.
Assim, na 17ª rodada, Dorival foi demitido após perder para o Brasiliense por 2x0, na Boca do Jacaré. Esse resultado tirou o Sport da zona de classificação pela primeira vez. O novo treinador estava na cara. Givanildo Oliveira havia levado o Santa à Série A com muita competência em 2005 e deixara o Atlético-PR há pouco tempo. Ele assumiu apenas três dias antes de enfrentar o Guarani, na Ilha. Dicilmente um treinador teve uma estréia semelhante na história do futebol. O Sport massacrou o Bugre por 8x1, com Adriano Magrão marcando cinco vezes.
Com o novo técnico, o Sport voltou a transformar a Ilha do Retiro no caldeirão que já assustou muito time grande em outras épocas. Dos dez jogos na Ilha até a 37º rodada, só um não terminou com vitória dos donos da casa (0x0 com o Santo André). Fora de casa, o time continuou a somar pontos como fazia na época de Dorival. Venceu Gama e São Raimundo e arrancou empates com Marília, CRB e Ituano. A pior partida foi diante do campeão Atlético Mineiro. Com o adversário empurrado por quase 50 mil torcedores, o Sport parou em campo e o placar de 2x0 para o time da casa ficou até barato.
Mas essa derrota foi a senha para o time arrancar de vez e conquistar a vaga. Nos sete jogos seguintes o rubro-negro não conheceu o pó da derrota e chegou a quatro triunfos consecutivos, destacando-se aí a revanche contra o Náutico, vencida por 2x0 na Ilha do Retiro, com dois gols de Fumagalli. Outro destaque foi o 1x0 em cima do São Raimundo, em Manaus, quando o time pernambucano enfrentou o calor e uma péssima arbitragem. A primeira derrota após essa seqüência não chegou a abalar os ânimos (2x0 para o Paulista, em Jundiaí). O time manteve a tranqüilidade e, com um empate diante do Ituano, em Itu, e os 3x0 no Brasiliense deu os toques finais numa bela campanha.