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Uma
agenda para o desenvolvimento
Armando
Monteiro Neto *
A
retomada do crescimento é a questão central do documento
A Indústria e o Brasil: Uma Agenda para o Crescimento, preparado
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)
e apresentado aos então candidatos à Presidência
da República, em maio último. Foi o começo
do debate sobre os rumos do País, que deve rever as bases
do desenvolvimento a partir de uma pauta de discussões que
priorize a indústria.
Nas
últimas duas décadas, o Brasil cresceu alternando
ciclos de expansão e períodos de estagnação,
e até mesmo de contração. Precisamos voltar
a crescer, mas sem abandonar conquistas que já são
valores da sociedade - como a estabilidade -, sem fazer concessões
à inflação e com responsabilidade fiscal. Políticas
sociais sustentáveis são compatíveis com regimes
fiscais responsáveis.
Mas
sabemos que a estabilidade não é algo que se basta.
O Brasil precisa de políticas públicas, de política
industrial. Crescer significa realizar múltiplas ações:
mobilizar instrumentos, transformar instituições e
ter um foco muito claro do que se pretende. Por isso, a Agenda da
Indústria também tem a preocupação de
reconceituar a política industrial.
O cerne dessa política é a visão de que o Estado
precisa promover a competitividade e deve ser capaz de remover os
entraves que dificultam e embaraçam o desempenho da economia.
São três os eixos centrais da nova política
industrial, sintonizada com as atuais exigências: o viés
exportador, a compreensão de que a indústria desempenha
um papel estratégico na produção da inovação
tecnológica e na sua difusão e a conformação
do desenvolvimento regional.
A preocupação
com a geração de excedentes é decorrente da
necessidade de reduzir a vulnerabilidade externa. A ampliação
da capacidade exportadora do Brasil será resultado direto
do estímulo aos negócios, dependerá de políticas
públicas que garantam condições de custos para
os investimentos e de competitividade compatíveis com as
exigências da concorrência no mercado mundial. A indústria
brasileira pode e deve ser convocada a exercer esse papel estratégico
de garantir o dinamismo das exportações nos próximos
anos.
A abertura comercial do País obrigou os industriais a rever
estruturas e buscar a produtividade. Houve ganhos consideráveis
no processo. Mas representa custo muito elevado para o mundo empresarial
a persistência de tributos cumulativos, taxas de juros elevadas,
normas trabalhistas obsoletas e infra-estrutura física e
social deficientes. Os efeitos negativos sobre a produção
e o emprego domésticos são significativos.
Sabemos também que os ganhos de produtividade, nos próximos
anos, dependerão fundamentalmente da capacidade de a indústria
brasileira inovar processos, inovar produtos e estar articulada
com o que chamamos de economia do conhecimento.
O eixo
do desenvolvimento regional é fundamental. É preciso
distribuir o desenvolvimento, em termos espaciais, de forma mais
equilibrada. Devemos investir na infra-estrutura de regiões
que ainda acumulam um certo atraso relativo e remover entraves claramente
identificados na área tributária, e que desfavorecem
as relações econômicas inter-regionais, prejudicando
os Estados consumidores.
Há
muito por mudar, mas o setor industrial não foge ao desafio
de tornar o produto nacional competitivo. Se a iniciativa privada
é capaz de diagnosticar os entraves à competitividade,
mostra-se igualmente pronta a colaborar para implementar essa nova
agenda. A CNI quer reafirmar o compromisso da indústria brasileira
de poder realizar um amplo diálogo social na busca desse
projeto de Nação que todos nós consideramos
prioridade absoluta do Brasil.
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Armando Monteiro Neto é presidente
da Confederação Nacional da Indústria.
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