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Governo
Lula e geração de empregos: o que nos aguarda?
Tarcisio
Patricio de Araújo *
É
muito pouco provável que em 2003 o novo Governo tenha condições
de atender as expectativas no que diz respeito à geração
de empregos. Desconfio que a população já sente
tal impossibilidade, e é melhor que assim seja - para que
a frustração seja mínima. As heranças
da dívida externa, da dívida interna e de uma inflação
- em 2002 - de 25% (indicadores da FGV) ou de 12% (inflação
oficial do IBGE) não deixam margem para mudanças bruscas
na política econômica. A alternativa de recolocar o
Brasil na rota do crescimento e da necessária geração
de empregos vai depender do sucesso de, no próximo ano, se
construir uma ponte para essa rota.
Um
elemento favorável é a (não antevista) grande
melhora das contas externas este ano (balança comercial positiva
de US$ 12 bilhões e provável déficit externo
inferior a US$ 10 bilhões). Isso ameniza, no prazo imediato,
a necessidade de captação de recursos externos e dá
margem para redução da taxa de juros - se o governo
tiver sucesso na pronta derrubada do ímpeto inflacionário
iniciado, com importante traço especulativo, em abril de
2002. A propósito, note-se que o comportamento dos índices
de inflação deste ano difere bastante do verificado
quando da desvalorização do Real em 1999: agora os
índices de preços sobem de forma sustentada e com
maior aceleração. Uma evidência de que a economia
brasileira não é tão competitiva quanto se
alardeou ao longo dos anos de inflação mais baixa;
não pode ser negado o componente político da atual
inflação, com potencial não desprezível
de prejuízo para a estabilidade da moeda.
Para
o Governo Lula minimizar a depreciação do capital
político de que dispõe o Presidente (a agenda macroeconômica
trará desgaste), será necessário que o Governo
inove em outras frentes e dê conteúdo concreto à
idéia de mudança - cimento da vitória eleitoral.
O programa Fome Zero é uma dessas frentes e deve ser acompanhado
de uma melhor racionalização do uso dos recursos disponíveis
para os atuais programas sociais; algo que pressupõe avançar
no monitoramento e na avaliação de impacto desses
programas. No plano administrativo-institucional, uma nítida
defesa de padrões éticos e um inequívoco combate
à corrupção. E, idealmente, uma nova estrutura
tributária ao final do primeiro ano de governo; um dos requisitos
para que sejam viabilizadas políticas de redução
da jornada de trabalho - o caminho mais curto para a geração
de empregos adicionais. Já é uma grande pauta. Difícil.
Possível.
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Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de
Pernambuco
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