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Uma
política nacional de desportos
José
Joaquim Pinto de Azevedo *
Todos
os segmentos da sociedade esportiva nacional estão à
espera do que poderá ser o governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no tocante a uma política para o setor. Necessário
se faz abrir um amplo diálogo nacional sobre a reconceituação
do esporte no Brasil, através de um debate com toda a comunidade
desportiva. Este diálogo terá o fim de recuperar os
anos perdidos pela falta de orientação e, sobretudo,
de uma legislação capaz de definir as diretrizes políticas
que possam garantir a integração do desporto no processo
da educação, atendendo às necessidades de lazer
da população, e, ao mesmo tempo, podendo ser desenvolvido
como competição.
Pouco
se fez, na realidade, para o incremento desportivo nacional, sendo
realizadas políticas equivocadas, distanciando totalmente
as necessidades desportivas das necessidades sociais, posto que
o desporto desenfreia emoções que unem todas as raças,
ricos e pobres, na alegria das vitórias e na tristeza das
derrotas. Ou seja, o desporto funde cidades e campos e constitui-se
num dos mais importantes mecanismos de integração
nacional, com efeito multiplicador sobre diversos segmentos. Ao
mesmo tempo, é um forte fator cultural, indispensável
à formação plena da pessoa humana e ao desenvolvimento
da sociedade como um todo.
Infelizmente,
não existe uma legislação que normatize o desporto
nacional. A Lei 9.615, de 24 de março de 1998, com as alterações
posteriores, caracterizou-se apenas como uma Lei do Futebol, deixando
de lado as outras atividades esportivas, tanto formais como não
formais, necessárias para o desenvolvimento da sociedade
brasileira.
O desporto
no Brasil é conceituado dentro das seguintes manifestações:
a)
desporto educacional
b) desporto de participação
c) desporto de rendimento
O
desporto-educação é fundamental para o País,
uma vez que abrange toda a infância e adolescência da
população brasileira. Pouco
foi realizado nos últimos anos para tal segmento. Pesquisas
realizadas demonstraram que é nesta faixa da população
que se situa a maior dívida social do País, ressaltando-se
a carência das escolas no que tange às instalações
desportivas, além das dificuldades financeiras dos alunos
em se locomoverem para outros locais, a fim de realizarem as práticas
de livre escolha.
Necessário
se faz incrementar o desporto-educação nas escolas
ou mesmo em outros ambientes, inclusive aproveitando-se os clubes
sócio-esportivos existentes, para atender às necessidades
daquelas escolas desprovidas de capacidade física para este
fim, permutando-se tal cessão em redução de
impostos, débitos existentes, etc.
Com
relação ao desporto-participação, também
pouco foi realizado no País nos últimos anos. Tal
desporto é essencial, já que agrega toda a sociedade
brasileira, sendo um produto do crescimento demográfico da
população, do sistema de urbanização
e da necessidade de lazer na vida das pessoas.
O desporto-participação
se traduz no oferecimento de prática desportiva às
comunidades e necessário se faz que haja uma parceria entre
Governo e iniciativa privada para que programas dos tipos esporte-lazer,
esporte tempo-livre ou esporte-recreação possam ser
difundidos nos mais diversos setores, com orientação
profissional. Devem-se
aproveitar praças, quadras e campos situados nas mais diversas
comunidades, para que se tenha o oferecimento de um segmento tão
importante para a sociedade brasileira.
Outros
tipos de desportos devem também ser reciclados e incentivados,
tais como o desporto universitário, o desporto para portadores
de deficiências, ou, ainda, o desporto nas prisões
brasileiras, que servirão de forma a modificar a estrutura
social do País.
No
tocante ao desporto-rendimento, onde se situa o futebol, muito tem
que se fazer, e principalmente, o mais importante, uma legislação
séria, profunda, visto que se trata de um setor em crise
- fundamentalmente, crise moral. Tecnicamente, continua-se a produzir
os talentos necessários ao despertar da demanda; entretanto,
no lado organizacional, permanece-se marcando passo, sem uma sistematização
que crie condições de estabilização
dos clubes participantes e o conseqüente retorno do público
aos estádios e, principalmente, de investimentos no setor.
O assunto
poderia ser estendido por várias laudas, entretanto, para
que se concretize uma política desportiva correta no próximo
Governo, necessário se faz sair do sistema adotado nos últimos
anos. O quanto pior melhor criou condições
para que alguns aventureiros se apossassem do setor, notadamente
no futebol, com omissões graves, principalmente no esporte
escolar-educação, esporte recreação,
que são fundamentais para a integração do homem
na sociedade e que praticamente não funcionaram por falta
de projetos.
O problema
do desporto nacional não pode ser resolvido em gabinetes
fechados ou em reuniões elitistas, mas sim ouvindo-se todos
os segmentos que poderão participar com suas idéias.
Finalmente, ter-se-á uma definição de um grande
projeto nacional e um estatuto que possa ser o orientador de toda
a política a ser implantada.
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José Joaquim é vice-presidente da Federação
Pernambucana de Futebol. Já atuou como presidente do Jóquei
Clube e do Sport Clube do Recife.
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