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Habitação
precisa de política coletiva
Álvaro
Mendonça Júnior *
Com
o advento de uma nova quadra política e a posse de um novo
Presidente, aliás, profundo conhecedor das carências
sociais do nosso povo, a questão habitacional tão
presente no cotidiano de milhões e milhões de brasileiros
desassistidos, com certeza deverá ser tratada como uma das
grandes prioridades do novo Governo.
É
sabido que o flagelo da falta de moradia atinge uma parcela expressiva
da nossa população: o déficit habitacional,
hoje, situa-se numa ordem de grandeza de quase 6 milhões
de unidades, sem falar que mais de 20 milhões de pessoas
moram em habitações rústicas, improvisadas
e compartilhadas.
É
relevante ainda enfocar que 83% das famílias que ainda não
tiveram direito a uma habitação digna situam-se numa
faixa de renda de ate 5 salários mínimos. Como se
vê, o problema habitacional no País assume proporções
dantescas, com certeza padecendo de um agravamento no seu quadro
a partir do fechamento do BNH, instituição que era
responsável pela formatação de política
habitacional, de saneamento básico, infra-estrutura e desenvolvimento
urbano. No período de suas atividades, se ofertou aproximadamente
5 milhões de unidades.
A partir
daí, o País tem carecido de uma política habitacional
que permita com o envolvimento de todos os seus agentes, ofertar
à faixa da população mais carente o seu bem
mais precioso - a tão sonhada casa própria.
Com
o limiar de um novo tempo, acreditamos que o novo Governo que se
empossa a partir de 1° de janeiro de 2003 já tenha a
habitação como uma grande prioridade e, sendo assim,
um projeto que permita dar de novo ao mercado um organismo capaz
de formular uma política habitacional mais duradoura e eficiente,
tendo como coadjuvantes importantes nesse processo, o Banco Central
do Brasil, como agente normatizador, e a CEF, como gestora e implementadora
dos programas habitacionais.
Não
podemos descurar que hoje o setor conta apenas com uma única
fonte de recursos, o FGTS, precisando-se agregar a participação
do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo via
os bancos privados. Sugerindo para isso o retorno da obrigatoriedade
regionalizada de aplicações, usando-se como critério
um percentual a ser alocado pela banca privada, sobre o montante
captado via poupança, permitindo dessa forma alavancar a
produção de unidades habitacionais em todos os quadrantes
da união.
A distribuição
da justiça social por parte daqueles que foram escolhidos
para serem gestores da coisa pública passa sem sombra de
dúvidas por ações que permitam a grande parte
da população o acesso ao seu direito de moradia.
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Álvaro Mendonça Júnior é advogado e
consultor de empresas.
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