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Saneamento:
o mais crucial de nossos problemas de infra-estrutura
João
Braga *
É
inegável que houve um forte investimento em infra-estrutura
física, no País, ao longo dos últimos anos;
menor, claro, que as nossas imensas demandas, mas expressivo para
ser observado por qualquer análise nos mais diversos setores.
Em
diversas áreas, quer sejam com novas construções,
reformas e modernizações, parcerias com a iniciativa
privada, via ou não privatizações ou concessões
públicas, muito foi investido. Exemplos, para citar alguns,
encontramos nos portos, aeroportos, rodovias, inclusive ligando
a outros países e na malha ferroviária. No campo da
energia, embora o indesculpável cochilo na geração,
citam-se a integração nacional na transmissão
de energia e o petróleo, com uma produção diária
de 1,5 milhão de barris e 41,5 milhões de metros cúbicos
de gás natural, chegando-se muito próximo da auto-suficiência.
O
que mais revolucionou, sem dúvida, foi o setor das telecomunicações.
A sábia competição estabelecida, num mercado
jamais explorado com tanta intensidade, produziu-se uma massificação
dos serviços de comunicação, particularmente
na telefonia.
No
entanto, há um setor para o qual as decisões têm
sido, sistematicamente, postergadas. E, certamente, ele deverá
merecer a melhor das atenções possíveis: saneamento
básico. Quase
a metade dos municípios brasileiros não tem, ainda,
rede de esgoto sanitário e a água potável não
é um produto acessível para uma parcela significativa
da nossa população.
Os
debates sobre este setor já são realizados há
tempo, pretendendo-se formatar um modelo de gerenciamento que defina
adequadamente os papéis dos governos municipais, estaduais
e federal, a competência entre os três níveis
de governo, a titularidade dos serviços, formas de participação
da iniciativa privada, as alternativas de financiamento, os critérios
de definição de tarifas, as agências de regulação
e o controle social.
As
discussões, às vezes, feitas em tons apaixonados e
esquecendo-se da indispensável racionalidade, têm adiado
sistematicamente as decisões, sobretudo no que diz respeito
à titularidade do serviços. Já
é tempo de decisões e espero que, agora, o governo
federal tome as iniciativas que possam produzir as deliberações
requeridas. Investimentos em saneamento geram retorno; para cada
real investido, serão cinco reais a menos em gastos no campo
da saúde pública.
O
nosso maior desafio em infra-estrutura é reverter o grave
quadro atual de saneamento básico no Brasil, democratizando
o acesso aos serviços de água e esgotamento sanitário.
É preciso fazer a água potável chegar a todos
e, ao mesmo tempo, investir em esgoto sanitário, um dos maiores
vetores de poluição, protegendo nossos mananciais
e a saúde do povo.
É
preciso cuidar daquilo que generosamente a natureza nos deu. Quando
o presidente Jânio Quadros renunciou, o então primeiro-ministro
de Israel, Ben-Gurion, teria afirmado: "Não entendo
essa renúncia, um país com tanta água."
Somos privilegiados, por ser detentores dos maiores reservatórios
de água utilizável do planeta e águas subterrâneas
ainda inexploradas.
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João Braga é deputado estadual em Pernambuco pelo
Partido Verde.
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