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Meio
Ambiente no Brasil
Clóvis
Cavalcanti *
Do
ponto de vista ambiental, é inequívoca a constatação
de que o Brasil acumula enorme passivo, resultante de práticas
econômicas lamentáveis realizadas ao longo de 500 anos
de descuido. Antes da chegada dos portugueses, a riqueza ecológica
do país exibia contornos extraordinários. Só
a Mata Atlântica, de que hoje resta fração de
apenas 5 por cento, com sua enorme biodiversidade, exemplificava
bem essa riqueza. Pero Vaz de Caminha registrou a impressão
de maravilha que causou aos nossos descobridores aquele
mundo novo, de beleza luxuriante. Gilberto Freyre, em outra perspectiva,
refere todo um processo predatório que acompanhou a colonização,
com a sistemática remoção da floresta litorânea,
chamada pelos lusitanos de muralha verde (a ser removida).
Ainda
hoje, nós vemos como persiste o vezo destruidor do meio ambiente
que move os que conduzem nossas atividades econômicas. Não
há consciência do desastre que se está causando.
Há desprezo (no Recife mesmo) pela vegetação,
pelos rios, pelo solo, pelo lençol freático, pela
atmosfera. O lixo não recebe tratamento adequado. Perde-se
diversidade biológica com os incêndios permanentes
na floresta amazônica, uma herança de fundamental valor
para o equilíbrio climático do planeta. O automóvel
só é visto como fonte de bem-estar, nunca como de
geração de males, a exemplo do dióxido de carbono.
Na verdade, trata-se o meio ambiente como peça subsidiária
da economia, como recurso qualquer, que se possa substituir com
engenho humano. Só que a situação não
é bem essa. E o problema, não apenas brasileiro, pois
os malefícios que se geram aqui se vêem em quase todo
o globo.
Para
enfrentar essa maneira suicida de proceder é que se adotou,
oficialmente, desde 1992, no País e no mundo, a noção
do desenvolvimento sustentável, que significa progresso com
preservação da natureza. O que não é
nenhum favor que se faz, uma vez que, destruindo-se recursos do
ambiente, causa-se prejuízo para as gerações
futuras. Na verdade, estamos usando patrimônio que não
é nosso quando exploramos a natureza além de sua capacidade
de regenerar-se e de dar conta dos dejetos que lançamos.
Esta
é a realidade que se apresenta para o novo governo e que
pede ações firmes e enérgicas para que se construa
a sociedade sustentável, durável que interessa a todos
nós. Um caminho a seguir é indicado pela Agenda 21,
onde existe orientação do que deve ser feito. Já
há trabalho realizado nesse contexto no País, o qual
deve ser aproveitado no novo Brasil que se descortina agora. Como
militante valorosa de um ecologismo intenso, a futura ministra Marina
Silva sabe disso.
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Clóvis Cavalcanti se define como economista ecológico. É
pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e professor licenciado da
UFPE. Atualmente, elabora o plano de desenvolvimento sustentável
de longo prazo de Angola.
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