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A
saúde no governo Lula: da Constituição à inclusão social
Ana
Maria de Brito *
A Constituição
Brasileira promulgada em 1988 consagra, na secção reservada à saúde,
o seguinte princípio: "A saúde é direito de todos e dever do
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem
à redução do risco da doença e de outros agravos e acessos universal
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação". A partir da aprovação da Lei Orgânica da Saúde,
em 1990, foi instituído o Sistema Único de Saúde (SUS), organizado
de forma regionalizada e hierarquizada, sob comando único em cada
nível de governo e segundo as diretrizes da descentralização administrativa
e operacional, do atendimento integral à saúde e da participação
para o controle social.
O SUS
representa a conquista de uma forma abrangente de entender a saúde;
não se trata simplesmente de oferecer um mínimo de cuidados a todas
as pessoas, mas, antes, de atender as necessidades humanas segundo
o princípio da eqüidade, da justiça e da ética, ou seja, a
disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um. A avaliação
das condições de vida e saúde da população brasileira revela um
quadro de exterma gravidade, parte de uma crise social mais ampla
e profunda, cuja complexa configuração se traduz por profundas transformações
no perfil epidemiológico e demográfico.
As
transformações demográficas expressam-se, sobretudo, pelo crescimento
populacional com aumento da expectativa de vida e da população idosa.
Enquanto as epidemiológicas, pelo avanço de doenças crônico-degenerativas
(diabetes, câncer, doenças renais, entre outras), das cardiovasculares
(doenças isquêmicas do coração, hipertensão e doenças cérebro-vasculares)
e dos transtornos mentais; a ocorrência crescente das causas externas
(principalmente acidentes, intoxicações e homicídios); a presistência
de doenças infecciosas e parasitárias, como a febre amarela silvestre,
malária, tuberculose, meningite, hepatites virais e esquistossomose
e o aparecimento de doenças emergentes (Aids, hantavirose) e re-emergentes
(dengue, cólera).
O principal
desafio que se coloca para o novo governo do Brasil é o de garantir
o direito constitucional da população ao atendimento de suas necessidades.
Essa garantia passa desde à adoção de políticas promotoras da saúde
e bem-estar em todas as regiões do País, nas zonas urbanas e rurais,
à prevenção das principais doenças e agravos à saúde, até o atendimento
dos casos mais graves e complexos. No plano institucional, o governo
deverá implementar o fortalecimento técnico e financeiro de estados
e municípios, com vistas à efetiva gestão descentralizada do SUS,
além de instituir uma política de recursos humanos pautada na valorização
e formação profissional, na implantação de um sistema democrático
e humano das relações de trabalho e, acima de tudo, na humanização
do atendimento à população.
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Ana Maria de Brito, 49 anos, é médica e professora
da UPE, onde leciona a disciplina Epidemiologia. Foi vice-presidente
do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, na gestão 1990-1992.
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