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Turismo no Brasil: Realidade e Perspectivas

Elder Lins Teixeira *

Muitos foram os sucessos obtidos pelo turismo durante o período de governo que ora se encerra no âmbito federal. A continuidade administrativa da gestão do setor, garantida pela permanência ao longo dos últimos oito anos de uma equipe operacional de elevada capacidade profissional e conhecimento da atividade, sob o comando do hoje Ministro Caio Luiz de Carvalho, somando-se ao ambiente propício para investimentos no país, proporcionado pela queda da inflação e pela sua inserção no processo de globalização econômica, permitiu um somatório de ganhos quantitativos e qualitativos que certamente alicerçarão o desenvolvimento futuro do turismo no Brasil.

Uma avaliação simplesmente quantitativa do turismo, atividade que já congregava, em números do ano 2000, 150.227 estabelecimentos formais , sendo responsável pela geração de 1.241.708 empregos, revela um crescimento dos fluxos de turistas estrangeiros para o País entre 1995 e 2001 de 240%, mesmo considerando-se as perdas havidas no último ano, decorrentes da conjuntura negativa internacional, ocasionada pela recessão econômica havida nos principais centros emissores de turistas mundiais e dos acontecimentos terroristas do “11 de setembro” nos Estados Unidos, agravadas, em nosso caso, pela crise da Argentina, que reduziu drasticamente a quantidade de viajantes provenientes daquele país para o Brasil. Tais fatos acarretaram uma perda de 7,7% do números de turistas internacionais chegados ao Brasil em 2001 sobre o ano anterior, fazendo-nos retornar às marcas obtidas em 1998, ou seja 4,8 milhões de visitantes estrangeiros. Observe-se que, mesmo obtendo-se resultados relativamente tão expressivos nos últimos sete anos, o turismo internacional no Brasil representa ainda menos de 0,8% dos fluxos mundiais de viajantes. No campo do turismo doméstico o número de viajantes, segundo os dados oficiais, cresceu, no período, de 38.208.000 para 41.350.000, representando um incremento de 8,2%.

Por outro lado, no aspecto qualitativo, a conscientização para a importância do turismo, reconhecida como atividade de base municipal e propiciada pelo Programa Nacional de Municipalização do Turismo; o aumento dos investimentos oficiais em marketing turístico; a melhoria da infra-estrutura aeroportuária; a abertura da costa brasileira para os cruzeiros marítimos de cabotagem por navios de bandeira estrangeira; a interiorização do turismo; a segmentação operacional e promocional da atividade, abrindo mercados para setores específicos, tais como o Ecoturismo, o Turismo Rural, o Turismo de Aventuras, o Turismo de Negócios, entre outros, encontraram resposta rápida do empresariado, multiplicando-se os investimentos em meios de hospedagem e outros serviços de atendimento ao turista, na abertura de cursos técnicos e universitários para a formação de profissionais para o setor e na criação de entidade privadas nos âmbitos estaduais - os Convention & Visitors Bureaux - destinadas a promover o turismo, captando eventos e atraindo visitantes.

A obtenção desses ganhos, como era de se esperar, não logrou superar, no entanto, todos os desafios existentes em decorrência, tanto das contradições existentes no momento atual da sociedade brasileira e da conjuntura internacional, quanto do próprio crescimento do setor.

O governo que se inicia, que reconhece, em seu programa de trabalho, dever o turismo ser impulsionado como uma indústria avançada, encontrará uma conjuntura internacional marcada pelos atentados terroristas, pelos conflitos abertos envolvendo países ou facções políticas de uma mesma nacionalidade, pela ameaça de novas guerras, pela crise envolvendo as maiores empresas aéreas mundiais e que já levou algumas a encerrar suas atividades e por um ambiente de cautela recessiva envolvendo as grandes economias internacionais, fatores que afetam o desenvolvimento da indústria de viagens a nível internacional, sendo objeto de preocupação por parte da Organização Mundial de Turismo.

No âmbito interno, em que pese os ganhos obtidos nos últimos anos, que precisam ser consolidados e ampliados, e a desvalorização da moeda nacional desestimular as viagens internacionais em benefício do turismo doméstico , são muitos os desafios a serem enfrentados, tais como: o equacionamento dos problemas de que decorre o ambiente de crise que marca o desempenho das companhias aéreas nacionais; a necessidade de melhoria das condições de segurança pública, tirando do banditismo o controle da situação nas grandes cidades do país; a melhoria das condições das nossas rodovias e da infra-estrutura urbana e a promoção do desenvolvimento econômico sob um regime de controle inflacionário, alargando mercados pela melhoria da distribuição da renda. Enfim não se pode esquecer que o turismo floresce como destino naqueles locais que oferecem uma boa qualidade de vida a ser compartilhada pelo visitante e como mercado naqueles centros onde existe riqueza compartilhada, capaz de proporcionar oportunidades de viajar a uma cada vez maior parcela da população. No desenvolvimento do turismo doméstico o Brasil é a um só tempo destino e mercado, por isso mesmo uma política para o turismo não deve ser encarada apenas como mais uma atividade setorial a ser promovida, mas como uma prioridade de governo fundamentada em sua reconhecida capacidade de criar e distribuir riqueza.

* Consultor e professor titular de Administração e Turismo da Universidade de Pernambuco (UPE).

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