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Força
do Sertão acompanhou trajetória de Lula
O
registro de Luiz Inácio da Silva aponta para o dia 6 de outubro
de 1946 como sendo a data de seu nascimento. Mas Lula nasceu de
fato em 27 de outubro, quase um ano antes. O que seria apenas um
erro de informação nos documentos virou, na verdade,
uma feliz coincidência para o novo presidente do Brasil. Os
mais esotéricos podem chamar até de bom presságio,
como indícios de um acontecimento futuro e certo. As datas
batem com os dias do primeiro e segundo turnos da eleição
presidencial na qual Lula comemorou os resultados em dose dupla:
pelo seu aniversário de 57 anos e, principalmente, pela vitória
nas urnas.
A paisagem
árida de Caetés, antigo distrito da cidade agrestina
de Garanhuns, a 252 quilômetros do Recife, fez com que Lula
e sua família passassem por várias provações.
A primeira delas e, talvez, a mais dura foi a viagem de seu pai,
Aristides Inácio da Silva, para São Paulo, um mês
antes de Lula vir ao mundo. Aristides deixou a mulher e os sete
filhos aos cuidados de um irmão para tentar a sorte na cidade
grande. Poucas vezes voltou para ver a família. Por isso,
Lula só veio conhecer o pai quando já tinha cinco
anos.
A fome
e a miséria acompanharam praticamente toda a infância
de Lula. Aos sete anos, embarcou em um caminhão pau-de-arara
com a mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu,
e os seis irmãos mais velhos para fugir da seca e encontrar
o 'chefe' da família, que já trabalhava na estiva
do porto de Santos. A viagem foi penosa. Durante 13 dias, os retirantes
só comeram farinha, rapadura e queijo. Mal sabia dona Lindu
que, ao deixar para trás o sítio de oito hectares
em Vargem Comprida, o pior ainda estava por vir. Quando chegaram
em São Paulo, encontraram um Aristides alcóolatra
e bruto, além de mais dificuldades financeiras.
A biografia
oficial do presidente eleito traz poucas linhas sobre a figura paterna.
Lula e seus irmãos preferem não lembrar do pai nem,
muito menos, do tempo em que eram surrados por ele e proibidos de
estudar. A violência empregada por Aristides deu forças
para dona Lindu se separar dele, pouco mais de um ano depois que
chegou a São Paulo. O sofrimento também provocou rancor.
Aristides morreu em 1978 e foi enterrado como indigente. Ao saberem
da morte do pai, dez dias após seu falecimento, os filhos
preferiram deixá-lo na vala comum dos desvalidos e colocar
um ponto final no assunto.
Com
mais uma criança na barra da saia, dona Lindu teve que se
valer outra vez de sua coragem para criar sozinha oito filhos -
cinco homens e três mulheres. A falta de dinheiro obrigou
Lula e seus irmãos a trabalharem para sustentar a casa. Ao
mesmo tempo em que sonhava virar jogador do Corinthians, o time
de futebol do seu coração, Lula pegava no batente,
vendendo amendoim, entregando roupas ou engraxando sapatos. Contrariou
a sina dos pais e começou a ser alfabetizado aos 10 anos,
mas só conseguiu chegar até a 5ª série
do primeiro grau, da mesma forma que o vice-presidente eleito, José
Alencar (PL).
O primeiro
emprego com carteira assinada surgiu quando tinha 14 anos, nos Armazéns
Gerais Colúmbia. O próximo passo foi uma vaga na Fábrica
de Parafusos Marte. Aos 18, com o estímulo da mãe,
completou o curso de torneiro mecânico no Senai. Pouco tempo
depois estava trabalhando na metalúrgica Aliança,
no ABC Paulista. Foi lá que perdeu o dedo mínimo da
mão esquerda, em acidente.
Luiz
Inácio Lula da Silva foi casado duas vezes: com Maria de
Lourdes da Silva, que morreu de parto em 1970, e com Marisa Letícia
da Silva (1974). Com Marisa, Lula teve três filhos (Fábio
Luiz, 28; Sandro Luiz, 23, e Luiz Cláudio, 17). Marisa tem
ainda um filho (Marcos Cláudio, 31) do primeiro casamento,
e Lula, uma filha (Lurian, 29), de um relacionamento com a auxiliar
de enfermagem Miriam Cordeiro.
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