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Luta sindical deixou marcas profundas na carreira do novo presidente
Quando
colocou os pés no ABC Paulista, Lula não tinha a menor
pretensão de se comprometer com a política sindical.
Assim como vários outros metalúrgicos, ele queria
apenas ser alguém na vida, ascender profissionalmente e encher
de orgulho o coração da mãe, dona Lindu, uma
das figuras mais importantes de sua existência. Uma vez lá,
porém, o envolvimento com as causas operárias foi
inevitável.
Em
1966, com o governo militar já instaurado, surgiu uma oportunidade
de emprego nas Indústrias Villares, em São Bernardo
do Campo. A fábrica era considerada uma das principais do
Brasil, onde a elite da classe trabalhadora circulava. Três
anos mais tarde, por influência de um de seus irmãos
- o Frei Chico, que era membro do Partido Comunista Brasileiro -,
Lula aceitou a proposta de concorrer a uma vaga de suplente na diretoria
do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
Foi eleito sem dificuldades.
O carisma
e a liderança começaram a despontar como marcas de
sua personalidade. Não demorou para Lula chegar à
presidência da entidade, em 1975, e ficar conhecido internacionalmente
por sua luta à frente dos operários do ABC Paulista.
Em 78, foi reeleito e iniciou paralisações em massa
contra o "arrocho salarial". Na luta pela reposição
dos salários, ganhou a simpatia dos companheiros e inimizades
dos patrões e do governo militar.
Em
79, durante uma paralisação, o governo federal interviu
no sindicato de São Bernado e Diadema, destituindo Lula do
cargo. Ele, no entanto, continuou liderando piquetes nas ruas, assembléias
em estádios de futebol e greves históricas. Uma das
mais famosas foi a de abril de 1980, considerada pela imprensa da
época como "a maior paralisação operária
da história do sindicalismo brasileiro".
Durante
o início da mobilização, Lula e mais sete sindicalistas
foram detidos pelo Departamento Estadual de Ordem Política
e Social (Dops), como forma de pressionar os operários a
voltarem aos postos de trabalho. Ele chegou a ser condenado a três
anos de prisão, mas a sentença foi revogada quase
um mês depois. Da cela, Lula continuou comandando a greve
e a ordem era resistir. Resultado: cerca de 140 mil metalúrgicos
cruzaram os braços durante 41 dias e só voltaram às
atividades depois de terem conquistado importantes ganhos políticos
e trabalhistas.
Foi
nesse período que sua mãe faleceu, vítima de
um câncer no útero. Sensibilizado, o delegado Romeu
Tuma liberou Lula para vê-la secretamente no hospital. As
visitas eram realizadas sempre de madrugada. Acompanhado por policiais,
ele entrava e saía pelos fundos, para despistar o assédio
da imprensa. Dessa mesma forma, Lula foi ao enterro de dona Lindu.
Quando ganhou a liberdade, no dia 20 de maio, ele retornou para
casa e soltou os passarinhos que criava na gaiola.
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