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Lula assume em grande estilo

Posse entra para a História como a mais festejada de todos os tempos. Petista pede ajuda para governar e diz que agora é o servidor público número 1 do País

BRASÍLIA – Foi um dia histórico. Eram 17h quando o ex-torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Palácio do Planalto, ao som da Marcha Presidencial, aplaudido pela multidão que se concentrava desde cedo na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes. Depois que a esperança venceu o medo, a emoção quebrou o rigoroso protocolo e transformou a cerimônia de posse de Lula em uma festa popular, com direito a desfile em carro aberto –_ um Rolls-Royce ano 1953. O presidente Fernando Henrique Cardoso colocou a faixa presidencial em seu sucessor no Parlatório, púlpito ao ar livre usado para discursos. Abraçou o ex-companheiro de palanque, conduziu-o até o Planalto e se despediu.

“Eu não sou o resultado de uma eleição, sou o resultado de uma história”, discursou Lula uma hora depois, no Parlatório para as cerca de 200 mil pessoas que se amontoavam na praça. “Estou concretizando o sonho de gerações e gerações que, antes de mim, tentaram e não conseguiram. Companheiros lutaram antes do PT e outros morreram. Eu apenas tive a graça de Deus de, em um momento histórico, ser o porta-voz dos anseios do povo”.

Interrompido várias vezes por aplausos, o presidente lembrou que sua história foi construída com a população. Não chorou, mas ficou com a voz embargada quando pediu o apoio dos eleitores. “Com muita humildade, eu não vacilarei em pedir para que vocês me ajudem a governar, porque a responsabilidade não é apenas minha. É de todos nós, é do povo brasileiro”, afirmou.

No final do discurso, ressaltou: “O que nós estamos vivendo hoje neste momento, meus companheiros e companheiras, meus irmãos e minhas irmãs de todo o Brasil, pode ser resumido em poucas palavras: hoje é o dia do reencontro do Brasil consigo mesmo. Agradeço a Deus por chegar até onde cheguei. Sou agora o servidor público número um do meu País. Peço a Deus sabedoria para governar, discernimento para julgar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para me sentir unido a cada cidadão e cidadã deste País no dia a dia dos próximos 4 anos. Viva o povo brasileiro!”.

A capital federal amanheceu com chuva, mas, quando Lula subiu a rampa do Planalto, com 48 Dragões da Independência protegendo seu caminho, o sol apareceu. A música que tocava naquele momento era Nossa Senhora, de Roberto Carlos, escolhida a dedo pelo tenente Elnatan Bernardo dos Santos, o maestro da fanfarra dos Dragões da Independência. “Esta canção vai abençoar o presidente”, afirmou o maestro.

Lá fora, em frente do Congresso e nas proximidades do Palácio do Planalto, a multidão acompanhava os passos do presidente, em telões distribuídos pelo gramado. Quando o presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), anunciou o Hino Nacional, muitos assistentes se levantaram e cantaram, com mão no peito. A cada frase mais forte do pronunciamento, a multidão gritava. Um dos pontos de maior vibração da multidão foi quando o presidente, reafirmando o compromisso de acabar com a fome no Brasil, convocou o povo brasileiro para ajudá-lo. “Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando forme, teremos motivos de sobre para nos cobrir de vergonha”, disse.

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