Adote uma nova idéia

Saiba o que é verdade ou mito
no processo de adoção

Muitas inverdades sobre a adoção, mascaradas pelo preconceito e desconhecimento, acabam prejudicando a decisão das pessoas sobre seus projetos familiares. A 2ª Vara da Infãncia e da Juventude ajuda a desmistificar algumas questões

O alcoolismo, as drogas e os problemas de ordem mental são transmitidos hereditariamente?

Os cientistas começam a descobrir que a genética e o meio ambiente trabalham juntos para determinar a personalidade do homem. O estudo do ser humano não deve se basear em verdades absolutas e, tampouco, ser taxativo em suas conclusões, pois cada pessoa tem em sua essência a esplêndida possibilidade de adaptação e superação dos problemas e dificuldades através do seu potencial e do convívio social.

O gene apenas fornece uma probabilidade de um traço de caráter, não sendo, portanto, uma garantia de manifestação. Ao meio familiar e social cabe propiciar o suporte necessário a esta superação, através de influência positiva, disponibilidade dos pais em oferecer amor, cuidados, carinho, compreensão, bem como uma educação onde se incluam também autoridade e limites.

Neste sentido, hábitos e costumes sociais, como levar crianças a bares com frequência, ingerir bebidas alcoólicas, usar drogas, ou mesmo verbalizar elogios a tais atitudes, pela influência que os pais exercem sobre os filhos, podem trazer efeitos tão nefastos à personalidade futura da criança/adolescente quanto os fatores genéticos que são tão temidos por grande parte dos pretendente à adoção.

A criança recém-nascida irá se adaptar melhor à família adotiva?

Não é a idade do adotando que determinará o sucesso de uma adoção. O que contribui para uma melhor adaptação entre pais e filhos adotivos não é a faixa etária da criança. O fator determinante é o tempo destinado à convivência, a capacidade de suporte, a disponibilidade e trocas afetivas, pais e filhos se aceitarem. A relação de maternidade e de filiação ocorre no dia-a-dia, na proximidade, no afago, no afeto. O amor é uma construção diária, uma conquista, que ocorre a partir do contato físico, do toque, dos descobrimentos, dos cuidados, todo o processo que envolve a maternagem e a paternagem. O ser humano tem capacidade de amar aqueles com quem construiu uma relação afetiva em qualquer idade. Além do que as crianças possuem imensa capacidade de adaptação.

As dificuldades encontradas nas adoções tardias fazem parte do crescimento interrelacional, não se configurando barreiras instransponíveis ou inacessíveis, cabendo aos adotantes a sensibilidade e ausência de tabus para enfrentá-las, da mesma forma que pais biológicos se preparam para o período da adolescência dos seus filhos ou quando amamos um marido, uma esposa, um namorado, onde adotamos a sua história de vida, sua educação, a sua origem ou os cônjuges em segunda união que adotam os filhos da primeira união.

O filho adotivo deve ter as características físicas semelhantes a dos pais adotivos?

Não necessariamente. O que irá determinar a relação de filiação não é a semelhança física e sim o vínculo parental constituído de segurança e amor na dinâmica familiar. A escolha, pelos adotantes, de criança com características físicas semelhantes às suas não deve estar relacionada ao desejo de protegê-las dos preconceitos da sociedade, pois não é nos escondendo que iremos mudar a realidade, mas enfrentando-os e combatendo-os.

Pais biológicos não planejam filhos "diferentes", mas se estes nascerem com algum problema ou sofrem qualquer tipo de déficit posteriormente não os abandonam por conta de qualquer discriminação da sociedade. São inúmeros os casos de adoções inter-raciais bem sucedidas. É fácil se amar os semelhantes, mas o verdadeiro desafio é darmos amor a todos, indistintamente.

As crianças morenas escuras e negras não fazem parte das características físicas desejadas pela maioria dos adotantes brasileiros e geralmente são adotadas por estrangeiros. É possível manter essas crianças no Brasil, à medida que trabalhemos nossos preconceitos.

A criança deve saber que foi adotada?

Sempre a verdade deve prevalecer nas relações. Por isso a orientação é de que se conte ao filho sua condição de adotivo, pois "mentiras e segredos" geram no futuro efeitos danosos. Conviver com a mentira é difícil e causa sofrimento, tanto para os pais adotivos quanto para a criança. Além do risco de a criança saber sobre sua origens através de terceiros e, com isso, sentir-se traída e perder a confiança nos pais.

Na adoção o importante é que essa história da criança seja contada o mais cedo possível, sem culpa, sem medo e com amor, tirando proveitos de situações que acontecem no dia-a-dia, para que a criança passe a introduzir de forma natural esse aspecto da realidade em sua história de vida.

As experiências mostram que o medo que os pais adotivos têm da revelação não tem fundamento. Tudo depende de como essa criança venha a saber, e de como essa família lida com a questão.

Os pais adotivos que tiverem dificuldade de revelar ao filho sua condição de adotivo podem contar com a ajuda do Grupos de Apoio à Adoção - Gead (Rua Padre Landim, nº 312, Edf. Regina Dias, Torre - Recife), com reuniões nos segundos sábados do mês, às 16h, formado por psicólogos, pais e filhos adotivos, além da participação de pessoas da comunidade preocupadas com o abandono e interessadas em promover os direitos da criança à vida em família.

Para ajudar na revelação, existem diversos livros de literatura infantil que explicam à criança o significado da adoção, seu funcionamento e a importância das crianças na vida dos pais.

Fonte: 2ª Vara da Infância e da Juventude da Capital - Poder Judiciário de Pernambuco

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Publicado em 24.05.09 - Copyright © 1997- 2009, JC OnLine - Recife - PE - Brasil.