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As
verdades que o mapa não esconde
Há
um tempo, lendo um mapa de uma senhora, afirmei que ela era uma
pessoa muito egocêntrica e de certa forma bastante egoísta.
O protesto foi imediato, ela se dizia a pessoa mais caridosa do
mundo, ajudava a todos, ia a prisões e hospitais, distribuía
sopa aos pobres, portanto, estava errado.
Mostrei,
que toda esta 'caridade' era uma forma dela se sentir poderosa perante
os outros, de rejubilar-se ao contar os seus bens feitos, de receber
os elogios e a admiração de todos. Era assim que ela
exercia o seu papel de poder, fazia por si mesma e não pelos
outros. No final, com muito contragosto, ela concordou.
Infelizmente,
isto também é o que a maioria faz. É uma questão
de 'status'. Fazer caridade não é uma questão
do que se faz para o próximo, mas do que se sente pelo próximo.
É
bom frisar, que podemos ser caridosos sem nunca dar materialmente
nada. Como diz a canção na voz de Luís Gonzaga,
"a esmola ou nos mata de vergonha ou vicia o cidadão".
Se
dermos um pão a quem tem fome, sem lhe ensinar a procurar
este pão, a ganhar e valorizar este pão, estamos criando
um vicio ou remendando a realidade, que infelizmente irá
se repetir amanhã.
A verdadeira
caridade parece com o amor que apoia, com o irmão solidário,
com o pai que ensina, com a mãe que ampara. A caridade tem
todas estas facetas, sendo todas ao mesmo tempo. Faltando qualquer
um desses predicados, ela está capenga e não funciona,
engana a quem está recebendo e infla o ego de quem dá.
Para
aquelas pessoas que estão fazendo caridade sem ser caridoso,
está na hora de ensinarem uma atividade produtiva para quem
precisa de ajuda. Porque
o verdadeiro espírito da caridade é libertar pessoas,
fazê-las andar com as próprias pernas, ajudá-las
a se reencontrar com a realidade, fazê-las sentir-se de volta
como filhas do criador, com todo o direito as benesses da casa do
pai.
É
importante ajudar ao próximo, dividir o pão com o
irmão. Mas é importante lembrar que isto tem que ser
um ato que liberte, porque senão, será um ato egoísta,
que, mascarado no servir ao próximo, está servindo
ao próprio ego.
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