Perfil
do trabalho doméstico no Brasil
Principais
conclusões do estudo Trabalho Doméstico e Igualdade de Gênero
e Raça: Desafios para Promover o Trabalho Decente no Brasil, realizado
pela OIT em parceria com o Dieese.
• No
Brasil, as discriminações de gênero e raça têm
atuado como eixos estruturantes dos padrões de desigualdade e exclusão
social. Esta lógica se reflete no mercado de trabalho, no qual as
mulheres, especialmente as mulheres negras, vivenciam as situações
mais desfavoráveis.
• Focalizando a análise em 6 regiões metropolitanas
- Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto alegre, Recife, Salvador e
São Paulo -, podemos observar que o trabalho doméstico
é uma das principais formas de inserção no mercado
de trabalho das mulheres negras, representando entre 22% (em Salvador)
e 32% (em Porto Alegre) do total da sua ocupação.
• Em todos os casos, o peso do emprego doméstico na ocupação
total das mulheres negras é pelo menos o dobro que o seu peso
no total da ocupação das mulheres não-negras e,
no caso de Salvador, é mais que o triplo.
• Dentre as trabalhadoras domésticas, a maior parte é constituída
por mensalistas, com e sem carteira de trabalho assinada. As mensalistas representam
proporções sempre acima de 72% em todas as regiões metropolitanas
analisadas. Há, no entanto, diferenças entre as negras e não-negras.
• As diaristas, que possuem uma situação de trabalho
mais instável e precária, representam proporções
acima de 20% em todas as regiões. No entanto as diferenças
raciais se fazem notar com bastante intensidade neste caso.
• A maior parcela de trabalhadoras domésticas possui entre
25 e 39 anos tanto entre as trabalhadoras domésticas negras como
entre as não-negras. No entanto há mais prevalência
das jovens entre 18 e 24 anos entre as negras.
• A escolaridade da maioria das trabalhadoras domésticas está concentrada
no ensino fundamental incompleto, o que significa menos de 8 anos de estudo.
As trabalhadoras domésticas não-negras têm um nível
ligeiramente superior ao das mulheres negras: o percentual de negras com o ensino
fundamental incompleto superou a de não-negras, exceto em algumas categorias
e regiões.
• As informações sobre o rendimento médio hora (ou
seja, descontada as diferenças produzidas por uma maior ou menor jornada
de trabalho) das empregadas domésticas indicam que as mulheres negras
continuam ganhando menos que as mulheres não-negras. Repete-se neste setor,
predominantemente feminino e caracterizado por uma mão-de-obra de baixa
escolaridade, a discriminação entre negros e não-negros.
As únicas exceções a esta regra apareceram entre as domésticas
mensalistas com carteira assinada no Distrito Federal e entre as diaristas de
São Paulo.
• Menos da metade das empregadas domésticas em todas as
regiões contribuiu para a previdência social. Desta situação
resulta que, do total de mulheres no emprego doméstico, grande
parcela dificilmente terá direito à aposentadoria, assim
como aos outros benefícios da previdência social, tais
como auxílio-doença e outros, que são obtidos a
partir da contribuição ao sistema previdenciário.
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