Matinê de luxo, longa tira força das cenas de aventura

Por Paulo Floro

A Marvel foi melindrosa em sua adaptação do Capitão América. Talvez seu filme mais complicado de fazer, a dona de Homem de Ferro e X-Men decidiu apresentar um filme sem muitas nuances, sem polêmica, sem ironias, sem violência extrema, sem sarcasmos, mas com excesso de ação e sequências repleta de efeitos especiais. A pirotecnia esconde um temor do estúdio em tornar seu capitão um fiel representante dos EUA e tudo o que ele representa. O argumento e o roteiro são bem arquitetados e até contam com uma reviravolta na trama, mas falta ao longa um mínimo de personalidade que o justifique para além de uma boa sessão de cinema.

Capitão América - O Primeiro Vingador cumpre bem o papel de ser uma adaptação bem-feita de um dos mais conhecidos heróis da Marvel. A ideia do diretor Joe Johnston (Jumanji, Jurassic Park 3) era tornar uma aventura edificante que não associasse automaticamente o herói a nenhum libelo de patriotismo norte-americano. Para isso, as cores do filme chegaram quase um cinema camp, ingênuo ao extremo, como um desejo desesperado de não chocar as senhoras que levam seus filhos à matinê.

O personagem principal, Steve Rogers (Chris Evans) é um rapaz magrelo do Brooklyn dos anos 1940 que, depois de ser rejeitado pelo alistamento militar é levado a um projeto secreto para criar um supersoldado que será enviado para lutar contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial. Ele acaba se transformando num garoto-propaganda, uma espécie de Tio Sam mais novo e bonito. Contrariando expectativas, ele parte para sua vocação original e consegue libertar um pelotão numa missão suicida em que resgata seu amigo Bucky e encontra o vilão Caveira Vermelha. Mais do que um sentinela dos ideais americanos, Steve deixa claro que é contra a tirania de qualquer modo.

Caveira Vermelha, o agente Smidth, interpretado brilhantemente por Hugo Weaving é um tirano que tem intenções maiores que o próprio Hitler. Ao se apossar do cubo cósmico de Asgard, o vilão e seu séquito de fiéis, a Hidra conspira um plano de destruição mundial com seu misto de tecnologia e magia. Os momentos de ação, sobretudo as lutas protagonizadas por Evans e Weaving são as melhores já feitas até agora para um filme da Marvel. Mesmo com todos os problemas que o filme apresenta ele se mostra um entretenimento que vale a pena por suas sequências de aventura.

Parece que a Marvel gostou do tom cômico que utilizou em Thor e carregou a mão aqui. Cenas de ciumeira entre Capitão América e a sargento Peggy Carter (Hayley Atwell) são apenas bobas. Os diálogos, em sua maior parte pecam pela falta de profundidade - e nem estamos esperando nenhum tipo de realismo. A defesa do filme o coloca como o melhor exemplar da sessão da tarde, do bem contra o mal. Com boas interpretações, o longa cumpre o papel de fechar o ciclo das adaptações da Marvel que preparam o terreno para Os Vingadores, filme que vai reunir os mais recentes heróis da editora que passaram pelo cinema.

FANBOYS - Se muita gente vai reclamar dos diálogos pobres em comparação às excelentes cenas de ação, ao menos os fãs poderão ficar felizes, com certeza. Há diversas referências ao universo dos quadrinhos do super-herói. A começar pelo uniforme, bastante fiel ao original. Há também uma homenagem aos criadores do personagem com a aparição da capa original de Captain America #1, de 1941.

A aparição de Stan Lee, um dos maiores criadores da Marvel vem mais uma vez num momento engraçado. E um aviso importante: quem aguarda com ansiedade o filme dos Vingadores, não esqueça de ver a cena após os créditos.

Publicado em 26/07/2011 - Copyright © 1997- 2011. NE10 - Recife - PE - Brasil.