A Pílula da Humanização no ambiente Hospitalar

O ambiente hospitalar é caracterizado pela tensão, dor, e sofrimento. É o lugar onde pessoas que buscam saúde se encontram com outras que pretendem oferecer este bem tão desejado. Ocorre que é neste ambiente que falta, também, calor humano, atenção, sorrisos, alegria. O ser humano por definição é : "... ser completo enquanto se completa ...", e deseja preservar todas as dimensões do que seja humano, mesmo no leito, acompanhando ou tratando de pacientes.

Nada é tão essencialmente humano quanto sorrir, apreciar o belo, ouvir uma música, relembrar a infância, as coisas boas vividas, a vontade de viver, sair, correr, brincar... Nada disso pode ser substituído pela doença, nem que seja temporariamente.

É comprovado o sucesso da recuperação de um paciente num ambiente humanizado. Baseado nessas comprovações até a comunidade científica, outrora mais rígida e reticente, já parte para investimentos de projetos que contemplam a alegria no ambiente hospitalar.

Os novos modelos de gestão hospitalar, preocupados com a qualidade de atendimento e a vivência da internação, estão incluindo a pílula da humanização, através da capacitação do corpo clínico e de enfermagem como um instrumento importante para o tratamento do paciente.

Como dizia o grandioso médico Patch Adams "Muitas pessoas doentes neste mundo sofrem de solidão, tédio e medo, e isso não pode ser curado com uma simples pílula"

Diante deste contexto torna-se viável a implementação de um trabalho comportamental que tenha a magnitude de levar a humanização também para as práticas de enfermagem, aqui entendidas como a necessidade de particularizar o tratamento, valorizar o contato com o paciente, proporcionar condições para o surgimento de um clima mais agradável que venha a minimizar a tensão profissionais/paciente.

A grande certeza e angústia do ser humano é sua finitude. E, por mais feliz e eliquilibrada que seja a sua vida, há momentos em que ele sente uma grande nostalgia de comunhão com os homens, uma vulnerabilidade que clama por atenção, carinho e solidariedade.

Dentre esses momentos, destaca-se, principalmente, o da doença, em que, por motivos óbvios, se vê cercado por estranhos e assolado por dúvidas e incertezas, no ambiente novo e sombrio para ele.

É importante despertar em cada profissional a consciência do seu papel para o bom andamento dos serviços, pois, sua missão, não se limita a simples execução de cuidados técnicos, ela ultrapassa o físico, ela atinge o espírito. Não se restringe ao indivíduo, engloba a família.

Minimizar o sofrimento dos pacientes e acompanhantes, através do sorriso, da atenção, facilitando a rotina deste ambiente e uma melhoria na qualidade do atendimento, faz parte da estratégia aqui proposta.

Como na prática de Patch Adams, que, apesar de todas as dificuldades, acreditava que "O AMOR É CONTAGIOSO", é possível mesmo na hora da doença e até da morte dar qualidade de vida ao paciente. Afinal, o ambiente hospitalar é vida no sentido de que, é ali que se promove a saúde, principalmente, nos dias atuais onde novas tecnologia nos favorece criando condições de tratamento e prevenção.

Mesmo dentro do atual e destorcido modelo da saúde brasileira, onde a qualidade do atendimento é inversamente proporcional a carga horária de um profissional de enfermagem vislumbramos uma realidade diferente e possível para a área de Enfermagem.

A capacitação destes profissionais passa por uma necessidade de realinhamento com os novos tempos, dando continuidade a relevante contribuição para a humanidade iniciada há séculos pelas ordens religiosas, e de prestação de serviços de saúde de qualidade.

Uma política de saúde, portanto, voltada para a capacitação e humanização da área de enfermagem, deverá ser a grande preocupação de todos os profissionais envolvidos com esta área, como forma de minimizar a dor e o sofrimento humanos, de melhoria de qualidade de vida e de certeza de honrar os princípios de Hipócrates.


Enrico De Vettori
Administrador de Empresas


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