Gustavo Belarmino e Inês Calado
Pouco mais de um quilômetro e meio separa o Empório Sertanejo - primeiro bar de uma das ruas mais movimentadas do Espinheiro - do Quintal da Hora, um dos últimos restaurantes inaugurados no principal polo gastronômico da Zona Norte do Recife. A Rua da Hora, na hora do almoço, é para aqueles que preferem desfrutá-la a pé. Quem trabalha ou mora por ali, vê na quantidade de opções um dos principais atrativos. Da concorrida culinária japonesa à novata nikkei, passando pelos ingredientes regionais aos selfservices, não faltam cardápios para todo tipo de gosto e bolso.
A fama da área atrai clientes de outros bairros da Região Metropolitana do Recife, que arriscam perder mais de 30 minutos no trânsito caótico da cidade. O empresário português Vicente Miranda sai de Olinda, pelo menos três vezes por semana, para ir a um dos restaurantes da rua. Sempre na hora do almoço. Não por acaso, a reportagem o encontrou duas vezes, uma no Entre Amigos, outra no Villa. "A frequência aqui, pela nossa vontade, seria diária, mas a contramão não permite".
O perfil do público na hora do almoço é tão diverso quanto o número de restaurantes, que aumenta a cada dia. Até o fechamento desta reportagem, um novo empreendimento, inaugurado há menos de um mês, estava se preparando para abrir as portas ao meio-dia. "Eu passei toda minha infância nesta casa, que tem mais de 100 anos. Sempre tive vontadade de ter um restaurante e essa movimentação na área me levou a concretizar esse sonho", revela o advogado e dono do restaurante Botequim da Hora, Ruy Rocha. O Kioto, praticamente pronto, anunciava com um "aguardem" a sua chegada.
Com o Botequim de Ruy, já são 16 casas em funcionamento. Inaugurado há oito anos - e todos os dias com fila de espera - o japonês Zen é um dos que comemora essa movimentação. Se não tem onde ficar, o cliente acha outro a poucos passos. Basta cruzar a rua para encontrar o bistrô Villa, com seus pratos de influência francesa, do premiado chef Joca Pontes. Se andar um pouco mais, uma grata surpresa pode ser o Delataci, escondido no charmoso quintal da loja de roupas Misancene, com as saladas e comidinhas leves de Taciana Teti.
O charme também é sinônimo do latino Café Porteño, que vai além das famosas empanadas e aposta no cardápio contemporâneo com mesclas argentinas e pernambucanas. Ziguezagueando a rua, a pedida é a comida regional. O Entre Amigos é do bode e da picanha, para jovens, famílias e executivos que ainda podem esticar a tarde com um chope gelado. A viagem gastronômica segue até o Peru, com o sofisticado Chiwake. Do outro lado, mais um restaurante - o Quintal da Hora - amplia o cardápio para encontrar seu público na hora do almoço. Ainda há espaço para a sobremesa, com a tradicional Dalena, que mesmo inaugurando uma casa maior e mais confortável na Avenida Rosa e Silva não abriu mão de seu espaço na Rua da Hora.
Sem chefs estrelados, outras casas não são vistas como concorrentes, mas também têm público fiel. O simples Coberta, do lado do Sushi da Hora, está ali há mais de 6 anos e recebe uma média de 400 pessoas por dia, segundo o proprietário, Fábio. Ainda há os italianos Famiglia Lucco e Palermo Pizza. E os selfservices Amarelo Manga e Sinhá Joana, que completam o menu.
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