O aroma de canela dá as boas vindas a quem vai almoçar no Chiwake, único representante da peculiar culinária peruana no Recife (no Brasil existem apenas três). Embora diferente aos ouvidos, os ingredientes da região litorânea daquele país nos dizem muito ao paladar: alguns deles soam extremamente familiares ao gosto nordestino, como os frutos do mar, as batatas, o milho e a macaxeira. Acrescente a tudo isso a forma típica de preparo e os temperos nativos do Peru, garimpados nos mercados limenhos pelo chef e proprietário do restaurante, Aníbal Fernandes, o Biba, a cada seis meses.
É o próprio Biba que nos ensina, na seção de vídeos, a preparar um dos carros chefes do restaurante, o Cebiche de Nazca - prato nikkei (com influência peruana e japonesa, R$ 29) feito com peixe e outros representantes do mar, todos marinados em suco ácido de limão, acompanhado de cebola roxa, pepino (estilo sunomono) e batata doce. A entrada serve bem a duas pessoas e é uma das mais pedidas da casa. O consultor Ricardo di Cavalcanti, que trabalha em Boa Viagem, diz que veio ao restaurante pernambucano atraído pela referência do Wanchako, famosa casa alagoana que serviu de base para a criação do Chiwake. "Estamos experimentando todas as entradas, agora mesmo pedimos um festival de cebiches (pescado, camarão, tiradito e cebiche constaneira)", comenta o consultor.
Na mesma mesa, o executivo do Banco do Nordeste Marcos Meirelles destaca não só a elaboração dos pratos do Chiwake, mas uma característica comum a outros restaurantes da rua: "diferentemente do pessoal que vem de Boa Viagem, quem está aqui nesta região caminha até encontrar uma boa opção", destaca, enumerando como preferidos o Café Porteño e o Villa. Questionado sobre o prato preferido na casa, ele é enfático. "Procuro experimentar todos. É a terceira vez que venho aqui, então ainda estou fazendo um city tour gastronômico e não defini qual é o melhor deles".
Se fosse seguir a indicação do chef da casa, os executivos escolheriam o arroz de mariscos picantes. Com aji (tipo de pimenta peruana) ao gosto do freguês, o arroz traz, além dos mariscos, polvo, lula e siri, camarões grandes passados na manteiga de gengibre, apoiados em uma concha natural. Bonito aos olhos e ao paladar. A viagem ao Peru não deve terminar sem que se experimente uma das sobremesas do menu. Passando pela pernambucaníssima Torta gelada de graviola ao imperdível Suspiro limeño.
O Chiwake, que antes abria para almoço apenas nas quintas e sextas, passou a funcionar, desde setembro do ano passado, também nos demais dias da semana. De acordo com a proprietária e esposa de Aníbal, Manuella Lisboa, a experiência de abrir para o almoço durante o Restaurante Week (festival com menus a preços fechados que ocorreu ano passado no Recife) foi bastante positiva, o que os levou a adotar o novo horário. Os clientes que forem ao restaurante na hora do almoço, agora em janeiro, também vão econtrar o cardápio renovado. Entram novas entradas, como a Yukita de Pulpo Picante (croquetes de macaxeira recheados com polvo, levemente picante, R$ 22).
Dos pratos principais, as novidades ficam por conta do Puerto Maldonado (R$ 45), um filé de robalo com pesto de tomates ao forno, servido com uma pasta mágica e camarões. Ainda o Alma Peruana (R$ 45), que traz camarões na manteiga e mostarda com pasta especial da casa, acompanhando saladas de grão de bico.
DOS DEUSES - Reza a lenda que Chiwake é um mensageiro dos deuses em forma de colibri, que foi enviado dos céus para atender ao pedido dos homens que desejavam maior qualidade e quantidade de alimentos. Trouxe com ele uma panela mágica, da qual os alimentos já saiam prontos. Mas Chiwake perdeu a panela e, com remorso, ensinou ao povo peruano a selecionar os ingredientes e preparar sua própria comida, com a precisão dos deuses. Divina ou humana, a verdade é que há algo de especial na culinária do Chiwake.
SERVIÇO
Rua da Hora, 820
Bairro: Espinheiro
Tel.: (81) 3221.1606 | 3423.7529
Especialidade: peruana
Hora do almoço: Segunda a sexta das 12h às 15h
Preço: a partir de R$ 39
Site: www.chiwake.com.br