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Literatura
Como antigamente...
As lembranças do pesquisador Liedo Maranhão


Hoje, quando crianças de todas as regiões do Brasil comemoram o Dia das Crianças, o pesquisador popular Liedo Maranhão, 75 anos, se enclausura na sua casa, em Olinda, para recordar a infância se debruçando em sua coleção particular de livros infantis e álbuns raros lamentando a preferência dos garotos da atualidade por vídeogames e computadores. “Os jogos eletrônicos pouco contribuem para a formação intelectual. Essas minhas publicações, além de ensinar, ajudavam a despertar a criatividade”, enfatiza Liedo, que tem no seu acervo dezenas de álbuns das décadas de 20, 30 e 50.

O material é resultado de 30 anos de buscas do pesquisador pelos sebos do Recife. São diversos títulos como Sinbad, o Marinheiro, Bambi; Pinóquio; Peter Pan; Gata Borralheira, O Soldadinho de Chumbo, Alice no País das Maravilhas, entre outros.

Em papel cuchê e figuras coloridas, os álbuns narram as histórias passo a passo. O xodó de Liedo é o justamente o mais antigo: o Almanaque O Tico-Tico. “Era uma publicação para toda a família ler e guardar. O almanaque é uma verdadeira coletânea e até material para consultas. Tinha contos infantis, humor e história”, frisou o pesquisador.

Outra raridade da coleção são os rótulos do sabonete Eucalol. “O álbum transformou-se numa verdadeira febre entre a garotada dos anos 50. Aquilo é que era um brinquedo. As crianças obrigavam os pais a comprar o sabonete apenas para preencher a coleção. Os pais não faziam qualquer questão porque levavam informações aos filhos sobre os animais, índios, brasões de família e a história do Brasil, curiosidades”, lembra Liedo.


(Sílvio Menezes/JC)