Prata do Lixo

INDÚSTRIA

Reciclagem é um bom negócio



Mário de Andrade há 47 anos comercializa metais em Afogados, no Recife

Um negócio sustentável. Assim é a reciclagem da lata de alumínio. Ela possui vantagens de ser economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente responsável. Por onde passa, a latinha de alumínio é reaproveitada e vira dinheiro. Por ser 100% e infinitamente reciclável, uma só latinha recuperada pode ser revertida em outra idêntica. "Ao reciclar uma lata, evita-se a extração da bauxita (matéria-prima do alumínio) da natureza e se economiza muita energia no processo de produção", salienta o gerente de política ambiental da Secretaria de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (Sectma), Rodolfo Aureliano Filho.

CURIOSIDADES / LATA DE ALUMÍNIO

  • É 100% e infinitamente reciclável
  • Vazia, pesa 13,5 g
  • Hoje é 32% mais leve que há 25 anos
  • 1kg de alumínio rende 74 latas
  • A tampa pode ser 25% do peso total
  • O Brasil produz 350 latas/segundo
  •  52 latas é o consumo per capita no Pais por ano
  • Ciclo da reciclagem dura 30 dias

Fonte: Blog da Latinha

Os números são impactantes. Um quilo de alumínio reciclado equivale a cinco quilos do minério, que não é renovável. Para produzir uma tonelada de latas é necessário 750 kWh, enquanto a mesma quantidade produzida com alumínio primário gasta 17.600 kWh. Ou seja, a reciclagem da latinha também proporciona uma economia de 95% de energia elétrica. Isso seria suficiente, por exemplo, para manter ligado um aparelho de TV durante três horas ou uma lâmpada de 100 watts por 20 horas.

Os dados tornam-se ainda mais relevantes quando comparados com o balanço da produção nacional. De acordo com a última pesquisa do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), em 2006 foram comercializadas no País 10,7 bilhões de latas de alumínio e recicladas 10,3 bilhões. O faturamento gerado na cadeia foi de R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 541 mil só na coleta. A economia anual de energia equivale a uma usina hidrelétrica de 200 MW.

Considerando o ciclo de vida das embalagens, a lata de alumínio para bebidas é uma das que levam menos tempo para ser reciclada e voltar para as prateleiras dos supermercados. Em média, são apenas 30 dias. Até chegar na indústria, no entanto, a latinha passa por várias mãos. Nas ruas e lixões ou nos condomínios e bares, ela é disputada por catadores e não-catadores. O material é juntado em poucos quilos e vendido nas associações que comercializam o metal ou para deposeiros. "Os deposeiros vendem as latinhas para comerciantes de alumínio, também chamados de atravessadores, em um volume maior, que ultrapassa os 100 kg", explica um dos coordenadores do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis do Norte/Nordeste, José Cardoso.

Fonte: Abralatas

São os atravessadores, conhecidos também como aparistas, que têm contato direto com as fábricas de reciclagem. "Eu revendo todo mês mais de uma tonelada de lata de alumínio. O volume tem aumentado nos últimos anos", revela o comerciante Abílio de Souza, que atua no ramo há 25 anos em Peixinhos, Olinda, Grande Recife. Assim como Abílio, o atravessador Mário de Andrade precisa diminuir o grau de impureza (areia, canudos, cigarros) das latas. "Fazemos essa limpeza manualmente e não prensamos o material para não comprometer o controle de qualidade, pois qualquer falha detectada corta pela metade o preço de revenda para a indústria", destaca Andrade, que há 47 anos comercializa metais em Afogados, no Recife. Só de lata de alumínio são quatro toneladas por mês. Os valores de compra e venda da latinha variam. Abílio compra um quilo por R$ 2,90 e repassa por R$ 3,20. Já Andrade, compra por R$ 3 e vende por R$ 3,40.

Os dois atravessadores têm em comum o comprador do material: a Aleris, antiga Tomra Latasa. É ela que faz o processo de coleta e processamento das latas recicladas e, em seguida, envia para a Novelis, que produz as bobinas de alumínio que serão utilizadas nas fábricas de tampa e de lata. A Rexam é a maior fabricante de latas para bebidas do mundo e líder na fabricação de tampas de alumínio na América do Sul. Atualmente, quase metade do metal utilizado pela Rexam vem de lata reciclada. Só no Brasil existem nove fábricas, sendo duas em Pernambuco. Em 2007, a companhia obteve aumento de 15% no volume de vendas de lata na América do Sul, com mais de 9,1 bilhões de latas vendidas e faturamento de cerca de R$ 1,8 bilhão. "A capacidade produtiva no Recife é de aproximadamente 1 bilhão de latas por ano, que são destinadas ao mercado do Nordeste, e de cerca de 4 bilhões de tampas, destinadas ao mercado brasileiro e para exportação", revela o diretor comercial da Rexam, Renato Estevão.

Além da Rexam, outras duas empresas atuam no mercado brasileiro, a Crown Embalagens e a Latapack-Ball. Juntas, já realizaram no País investimentos que superam a casa de US$ 1,5 bilhão, com 13 estabelecimentos industriais presentes em nove estados. Apenas em 2006, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), a indústria de latas de alumínio faturou no Brasil mais de R$ 3 bilhões, gerando impostos e contribuições superiores a R$ 1 bilhão, além de mais de 3 mil empregos diretos e 170 mil indiretos. (J.M.)

ECONOMIA NA RECICLAGEM
  PET ALUMÍNIO VIDRO
Taxa de reciclagem (%) 47,00 96,20 45,00
Massa de material (kg) 25,00 40,83 1331,70
Recurso natural (kg) 30,36 8,40 50,13
Consumo de água (kg) 141,50 123,43 578,19
Energia (MJ) 2496,20 1861,07 3998,12
Emissão atmosférica (kg) 8,70 4,54 30,80
Efluente líquido (kg) 147,48 123,86 578,90
Resíduo sólido (kg) 39,31 24,70 25,69
Fonte: Valt, Renata Bachmann Guimarães

RAIO-X DAS LATAS
ALUMÍNIO 2005 2006
Latas consumidas (bilhões) 9,7 10,7
Latas recicladas (bilhões) 9,4 10,3
Índice de reciclagem (%) 96,2 94,4
Recursos gerados na cadeira (R$ bilhões) 1,6 1,7
Recursos gerados na coleta (R$ bilhões) 496 541
Empregos gerados (mil) 160 170
AÇO 2005 2006
Volume reciclado (em mil toneladas) 18,1 19
Evolução do índice de reciclagem (%) 88 85
Empregos gerados (mil)
(Diretos e indiretos)
Cerca de 55 Cerca de 50
Fonte: Cempre


BALANÇO DAS CERVEJARIAS

A AmBev – Companhia de Bebidas das Américas é responsável por 68% do mercado nacional de cerveja. Em 2007, o lucro foi de R$ 5,2 bilhões. Só com o reaproveitamento de subprodutos, a empresa faturou R$ 67 milhões em receita extra, obtida com a venda de 98,2% dos resíduos da produção, como bagaço de malte, vidro, fermento e alumínio, entre outros. O Grupo Schincariol fechou 2007 com R$ 4,5 bilhões de receita bruta e lucro líquido de R$ 114,1 milhões. Hoje a capacidade de produção anual de bebidas instalada na Schincariol é de 4 bilhões de litros. Cerca de 15% do volume é envasado em latas de alumínio. A companhia possui 14 unidades industriais no Brasil. Em Pernambuco, são duas: uma da Nobel e outra da Schincariol.

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Publicado em 18/06/2008