Os alunos com deficiência têm direito a uma educação especial de qualidade. Mas o Conselho Nacional de Educação determina que as escolas devem assegurar a inclusão desses estudantes em turmas regulares. O desafio é estruturar as escolas públicas para que tenham condições físicas e pedagógicas para recebê-los. Em entrevista ao JC OnLine, a secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, Cláudia Dutra, fala das ações que estão sendo implementadas.
JC Online - De que forma o MEC trabalha a inclusão
de pessoas com necessidades especiais na rede pública de ensino?
Cládia Dutra -
O MEC orienta a inclusão desses alunos nas turmas comuns de escolas
do ensino regular, com base na Resolução do Conselho Nacional
de Educação /Câmara de Educação Básica nº
2/2001 que, em seu artigo 2º, determina que “Os sistemas de ensino devem
matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento
aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições
necessárias para uma educação de qualidade para todos”. Orienta
também a implantação de salas de recursos multifuncionais para
a realização do atendimento educacional especializado.
JC OnLine - Como os professores são capacitados para atender esses alunos?
Cláudia Dutra - A ampla maioria das nossas ações
objetivam a formação continuada de professores. Os programas
Educação Inclusiva: direito à diversidade, o Educar na Diversidade,
o Interiorizando Libras são exemplos que são desenvolvidos nos Estados
e municípios por meio do apoio do MEC. No programa Interiorizando Libras, além
dos cursos de Libras e de ensino da Língua Portuguesa como segunda língua,
há também formação na área de tradução
e interpretação da Libras. As Secretarias de Educação
de todos os Estados dão continuidade a esses cursos nos Centros de Formação
de Profissionais da Educação e de Apoio às Pessoas com Surdez (CAS).
O Prolibras certifica as pessoas proficientes para o ensino de Libras ou para
sua tradução e interpretação. Cabe aos Estados e
municípios organizar seus sistemas de ensino para a oferta dos serviços de
tradução e interpretação.
JC OnLine - O material didático distribuído pelo MEC também é impresso em braile?
Cláudia Dutra - Por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), os alunos cegos do ensino fundamental têm seu livro impresso em braile e pelo Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE) recebem paradidáticos em áudio. Por meio do Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLEM), alunos cegos e com baixa visão têm material acessível ou em braile, ou em áudio.
JC OnLine - Na educação profissional, existe algum programa específico para atender ao aluno com necessidade especial?
Cláudia Dutra - O Programa de Desenvolvimento da Educação Especial contempla a ação de qualificação para o trabalho que apóia projetos educacionais para desenvolvimento de cursos de educação profissional para pessoas com deficiência, contemplando a formação docente nesta área e produção de material didático específico para a promoção da acessibilidade. Outra ação refere-se a uma parceria com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica como política pública na área de educação para o trabalho para pessoas com deficiência a partir das escolas da rede federal de educação tecnológica, que são unidades de ensino descentralizadas e centros federais de educação tecnológica (Cefets) que, possibilitando a inclusão da pessoa com deficiência nos seus cursos, representam uma oportunidade de formação e inclusão no mundo do trabalho, um dos requisitos para o exercício da cidadania.
JC OnLine - Os empresários sempre reclamam da falta de qualificação das pessoas com deficiência. Como o MEC enxerga a Lei de Cotas?
Cláudia Dutra - É fato que há um baixo índice de pessoas com deficiência que acessam e concluem o ensino médio, fruto de uma exclusão histórica e de práticas educacionais segregadoras. Temos presente esta preocupação e, por isso, investido em programas que ampliem o acesso. A obrigatoriedade de um percentual de vagas nas empresas está em sintonia com a necessidade de políticas afirmativas que possam acelerar socialmente os processos de inclusão. Através destas ações, rompem-se barreiras e desconstituem-se mitos e preconceitos, possibilitando às pessoas com deficiência uma maior qualidade de vida.