LIMITES FORMAÇÃO & TRABALHO

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Deficientes x empresas Falta oportunidade ou qualificação?

De um lado, os deficientes alegam que as empresas preenchem as vagas do sistema de cotas apenas com cargos que não condizem com sua qualificação ou para tipos específicos de deficiência. Do outro, os empresários dizem enfrentar dificuldades para encontrar profissionais com deficiência adequados às vagas disponíveis. Apesar de concordar com as duas opiniões, a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PE), Cibelli Pinheiro, afirma que há ainda muita desinformação e preconceito. “Existem empresas que, pela falta de informação e preconceito sobre o potencial do candidato com deficiência, colocam-no em qualquer cargo, muitas vezes abaixo de sua capacidade.”

A dona-de-casa Maria de Lourdes Ribeiro, 59 anos, mãe do universitário Leonardo Ribeiro Alves, 28, sabe muito bem o que a presidente da ABRH-PE está dizendo. “As empresas querem surdos ou semi-surdos? Porque os que falam alguma coisa têm mais chance”, diz, referindo-se aos deficientes auditivos parciais - o filho Leonardo, que se comunica através da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ainda não conseguiu o primeiro emprego. “Só querem meu filho para ser calunga de caminhão”, desabafa.

Apesar de ser uma das exceções deste quadro traçado por Maria de Lourdes, o funcionário da Biblioteca Central da Universidade Católica de Pernambuco Milton Pereira de Carvalho Filho, 26, concorda com ela. Para Milton, que teve glaucoma congênito e é coordenador da área de impressão de material em braile na instituição, as empresas contratam os deficientes já estereotipando as funções. “O cego tem que ser telefonista ou auxiliar de câmera escura; o cadeirante tem que ser recepcionista ou digitador; e o surdo, embalador de mecadoria”, afirma. E critica: “As firmas querem cegos que enxerguem, surdos que ouçam e aleijados que caminhem.” A superintendente do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania (AEC), Susana Leal, concorda com o jovem: “Grande parte das empresas procura preencher suas cotas com funcionários que apresentam pequenas deficiências, facilmente contornadas.”

“As empresas querem cegos que enxerguem, surdos que ouçam e aleijados que caminhem”
Milton de Carvalho
Para Cibelli Pinheiro, as principais dificuldades levantadas pelas companhias para contratar alguém com necessidades especiais são baixa escolaridade, desconhecimento do mercado de trabalho e pouca habilidade no uso do computador. Já a professora do Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai) Ruth Uchoa Veloso acrescenta que as barreiras de acessibilidade também dificultam a inserção no mercado. (I.F.)

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