LIMITES FORMAÇÃO & TRABALHO

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Limitações Programa capacita pessoas com deficiência

Para facilitar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Pernambuco (Senai/PE) implantou, desde 2002, o Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai). A iniciativa visa à integração dos deficientes nos cursos oferecidos pela instituição ao mesmo tempo em que busca mostrar o potencial competitivo desse alunos no mercado de trabalho. Capacitados, os alunos são cadastrados em um banco de dados da Agência do Trabalho.

O Psai oferece cursos em várias áreas: panificação, alimentos e bebidas, automotiva, informática, madeira e mobiliário, refrigeração, saúde e segurança no trabalho, têxtil e vestuário. Não há turmas separadas para pessoas com deficiência. Para a professora Ruth Uchoa Veloso, que ministra aulas de qualificação na área de alimentos, é gratificante observar a aprendizagem dos estudantes. “A cada grupo de alunos, a cada tipo de deficiência, é emocionante assistir à superação de obstáculos que, muitas vezes, nem existem de fato.”

Durante as aulas, os alunos recebem material adequado. Para aqueles com Síndrome de Down, as apostilas têm mais gravuras; no caso daqueles com deficiência visual, o material é impresso em braile e os deficientes auditivos contam com um intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Os professores também são preparados para receber os alunos com deficiência. Na instituição, oito docentes têm curso de Libras e seis de braile. “Em agosto, um grupo de mais seis professores também será capacitado”, antecipa Maria Lúcia Pernambucano, coordenadora do Psai no Estado. Um deles vai ser o professor do curso de automobilística Edelson Alexandre Marinho, que já trabalhou com deficientes auditivos, físicos e mentais. “A gente é que tem que se adaptar ao mundo deles e não eles ao nosso. Os alunos com necessidades especiais são mais atenciosos que os tidos como normais”, garante o professor.

Marinho montou uma sala de aula na oficina para facilitar o ensino aos deficientes auditivos. “Nos três primeiros dias do curso de aplicação matemática, eles disseram que não estavam entendendo e seria melhor que juntássemos a matemática à prática. Foi o que fiz”, relata.

Entre 2002 e 2003, 169 pessoas com deficiência participaram de cursos do Senai no Estado. Este número chegou a 379 no biênio 2004/2005 e ficou em 336 entre os anos 2006 e 2007. No total, o Senai Pernambuco já capacitou 884 pessoas com necessidades especiais. De acordo com Maria Lúcia, em todo o Brasil esse número atingiu a marca de 26 mil.

EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA - Também com a proposta de incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco (Cefet/PE) disponibiliza o Núcleo de Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais (Napne), vinculado ao Ministério da Educação. A iniciativa pretende incluir no ensino regular estudantes com algum tipo de deficiência mental, sensorial ou física. Atualmente, dos cerca de 500 alunos deficientes que estudam no Cefet, apenas oito são atendidos pelo núcleo. "Os demais alunos já se sentem incluídos, sem barreiras, e não têm necessidade de procurar o núcleo", justifica o coordenador do Napne - Cefet/PE, professor Gustavo Estevão.

Para o coordenador, é um mito o professor precisar ser qualificado para ensinar os deficientes. "Ele precisa ter apenas o entendimento do que é inclusão e a sensibilidade de que o aluno tem uma especificidade com a qual ele ainda não tinha trabalhado". Estevão, que também é gestor estadual do programa Tecnologia de Necessidades Especiais (Tecnep), do MEC, acrescenta que os docentes necessitam, sim, de mais recursos, como material em braile, intérprete de Libras, rampas e sintetizador de voz. (I.F.)

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