LIMITES FORMAÇÃO & TRABALHO

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PROFISSIONALIZANTE Senai Maranhão é referência no Nordeste em ações inclusivas

“Para se fazer inclusão, não precisamos de especialistas, mas de seres humanos. De pessoas que os entendam e que estejam prontas para atender as diferenças”. A frase acima foi extraída da entrevista com a pedagoga Maria Júlia Carvalho, que dedica parte de sua vida à valorização da pessoa com deficiência no Maranhão. Tamanho empenho já transformou as ações da profissional em referência para o Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai), que desenvolve trabalhos em todo o País.

Antes mesmo do Programa existir, uma experiência pioneira foi desenvolvida na Unidade de Imperatriz, localizada a 616 quilômetros de São Luís, com a qualificação profissional de pessoas com necessidades especiais na área de acabamento de móveis, em 1998. “O curso foi criado por uma demanda do mercado. À medida que esses alunos eram capacitados, eram absorvidos pelas empresas da região”, lembra Maria Júlia. De 1999, quando o programa foi criado, até 2006, mais de mil alunos foram capacitados.

De acordo com o diretor do Senai Maranhão, Elito Hora, àquela época não havia nada programado para prestar atendimento específico ao deficiente. “As empresas não tinham interesse”, destaca. A entidade, então, procurou parcerias com outras instituições, como a Apae e Helena Antipoff, e passou a atuar de forma mais estruturada. “Começamos por aqui, cumprindo nosso papel, para depois disponibilizarmos nossos alunos para o mercado”. Iranilson Silva de Carvalho, 30 anos, portador de síndrome de Down, é um deles. Depois de fazer o curso de panificação, terminou sendo absorvido pelo prórpio Senai, onde trabalha há três anos como office-boy. O profissional é parte da família. E os demais funcionários são unânimes em afirmar que aprenderam muito na convivência com ele.

As turmas oferecidas pelo Psai geralmente são mistas. Em apenas alguns casos, como os cursos de informática, as salas são formadas apenas por pessoas com necessidades especiais (PNEs). “O curso regular tem 60 horas, porém verificamos que o deficiente precisa de mais tempo para absorver o conteúdo. Por isso, ampliamos a carga-horária para 120 horas”, explica Maria Júlia. “No começo, o maior desafio era colocar todos juntos porque precisávamos romper as barreiras do preconceito. Hoje isso está superado”, comemora.

O desejo de aperfeiçoar o trabalho faz com que novas demandas sejam criadas. Nem todas as escolas do Senai são 100% acessíveis. Na escola Raimundo Franco Teixeira, por exemplo, 10 cadeirantes fizeram uma avaliação dos espaços da unidade. Eles, melhor que ninguém, identificaram correções que precisavam ser realizadas. “Avaliaram o laboratório de informática e deram nota 10 porque todos os computadores estavam com cadeiras adaptadas, mas identificaram algumas rampas íngremes e banheiros inadequados”.   

O Psai no Maranhão

  • Mais de 1000 alunos beneficiados desde sua implantação, em 1999
  • Oferece cursos gratuitos de qualificação profissional em turmas regulares e pontuais (voltadas exclusivamente para deficientes)
  • Alunos atendidos em 2006: 205
  • Percentual de inserção no mercado: 20% a 30%
  • Meta de inserção para 2009: ampliar para 50%

NOVOS PROJETOS - A oferta do ensino médio articulado (ensino médio e técnico ao mesmo tempo) para deficientes ainda é um desafio para o Senai Maranhão. A primeira turma foi formada no ano passado, com cinco alunos surdos inseridos no programa Menor Aprendiz, em salas de aula regulares. “Essa experiência está sendo fantástica porque, dos 5 alunos, 2 já estão estagiando em empresas”, atesta a pedagoga.      

Rosemary Aguiar Gonçalves, 22, é uma das alunas do programa. Ela está no 2º ano do curso técnico de eletrônica e, à tarde, faz o ensino médio regular. Rosemary já está estagiando na empresa Alumar, uma das maiores do Estado. O dia 6 de junho foi um dos mais felizes para a jovem. Foi quando ela assinou o contrato válido até o fim do curso, que termina em 2008. Além da experiência, ganha auxílio-benefício de R$ 175, mais vale-transporte e plano de saúde. [Rosemary deixa mensagem em vídeo Vídeo para outros alunos que, como ela, têm algum tipo de deficiência.]

Atualmente, o percentual de aproveitamento dos alunos do Psai no mercado é de 20% a 30%. A meta para 2009 é ampliar esse número para 50% através de um levantamento dos postos de trabalho que podem ser ocupados por deficientes. Hoje o Senai coloca à disposição o seu banco de dados, que tem cerca de 200 nomes, mas o objetivo é identificar a real demanda do mercado. Também será diagnosticado com as associações as profissões que podem ser melhor desenvolvidas por cada tipo de deficiência. “Uma das necessidades dos cadeirantes é a carga-horária reduzida. Ao saber disso, quando encaminhamos um cadeirante para um empresa, procuramos encaixá-lo numa atividade de seis horas, porque assim ele pode render mais", comenta Maria Júlia. (G.B. e I.C.)

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