“Imagine um mundo onde a tecnologia permite uma melhor educação para todos”. O desafio, lançado em 2007 a estudantes de todo o planeta, trouxe criações para lá de interessantes à final da ImagineCup, competição promovida pela empresa de Bill Gates, a Microsoft, há cinco anos.
Este ano, alunos da Universidade de Pernambuco (UPE) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) brilharam com o projeto do KnowTouch – um dispositivo do tamanho de uma folha A4 que muda de superfície, reproduzindo textos em braile (foto). Conectada a um servidor remoto sem fio, a engenhoca permite que cegos leiam livros inteiros com as pontas dos dedos.
A inspiração da equipe por trás do KnowTouch – formada por Diogo Burgos, Murilo Pontes, Raquel Almeida e Thiago Teixeira - veio de casa. “Meu avô sofria de diabetes e, quando eu era pequeno, perdeu a visão. Eu pensei até em estudar medicina para poder ajudá-lo, mas terminei tomando um caminho diferente. Nosso projeto foi inspirado nele”, explica Diogo.
Em 2006, também pensando em soluções para o dia-a-dia do deficiente visual, um grupo de alunos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) terminou levando o segundo lugar da categoria Projeto de Software da ImagineCup com o seu ‘olho virtual’. Sob a forma de braceletes, o Virtual Eye
, ou vEye, se propõe a ajudar na locomoção dos deficientes visuais através de vibrações no pulso do usuário.
A informação do vEye complementa a ajuda dada pelo ‘melhor amigo do homem’. “Como o cão guia cuida muito mais da micronavegação, ou seja, dos obstáculos que estão à frente, e o vEye, da macronavegação, eles se completam. Do mesmo jeito que o vEye e a bengala – também responsável pela micronavegação”, explica Madson Menezes. Ele, junto a Carlos Eduardo Monteiro, Ivan Cardim e Augusto Spinelli assinam a criação do olho virtual. A engenhoca foi testada no Brasil e na Inglaterra.
Na Olimpíada do Conhecimento de 2006, realizada no Recife, o Senai apresentou outros protótipos desenvolvidos com foco no portador de necessidades especiais.
É o caso da campainha
que acende e apaga para alertar da chegada de visitantes (foto), do travesseiro que vibra para
despertar o usuário surdo e de um sapato que funciona como sensor
para deficientes visuais – que a exemplo do vEye, ajuda
na ‘navegação’ de seus usuários.
Assim como o KnowTouch, a necessidade foi a mãe da invenção do grupo. O tema da competição em 2006 era Imagine um mundo onde a tecnologia permite um mundo mais saudável. “Ivan acabou tendo idéia do vEye, pensando em como ajudar a melhorar a vida de um parente dele que estava ficando cego”, conta Madson.
Os dois projetos têm potencial para ajudar muitos deficientes visuais brasileiros. Mas esbarram na falta de investidores que apostem na sua produção e comercialização. Quando nossa equipe de reportagem procurou a equipe desenvolvedora do vEye, descobriu que os braceletes – que funcionam com bluetooth, GPS e reconhecimento de voz – haviam sido desmembrados para uso em novas pesquisas.“A produção das pulseiras passa por um conjunto de variáveis como apoio financeiro e de infra-estrutura”, observa Madson.
Para candidatos a investidores, afora o compromisso com a responsabilidade social, o mercado é promissor. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2000: 16,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de limitação visual e 160 mil desses estão completamente cegos. Eles correspondem a 48% do universo de deficientes no País. (M.A.D.)