O Dicionário Aurélio define tecnologia como um conjunto de conhecimentos que se aplicam a um determinado ramo de atividade. A palavra vem do grego e significa tratado sobre uma arte. Recentemente, um grupo de estudantes do Senai-Certtex, em Paulista, no Grande Recife, fez arte com linhas e agulhas, mostrando que tecnologias de inclusão social não precisam necessariamente de bits e bytes. A turma criou roupas feitas sob medida para deficientes físicos, trazendo de volta o sorriso e a auto-estima de seus modelos tão especiais.
Animada com os resultados, a professora Maria José Pereira convidou o JC OnLine para conhecer os top models que inspiraram as criações de seus alunos. Rose Alves, 40 anos; Lucy de Aquino, 45; Robson Ramalho, 40; e José Geraldo da Silva, 53, são moradores do centro de convivência para deficientes físicos, em Paulista. O espaço é herança do último governo Joaquim Francisco (PFL), em Pernambuco, no início da década de 1990.
Rose e Lucy tiveram poliomielite quando crianças e dependem de muletas e cadeira de rodas, respectivamente. Vaidosas, elas falam das dificuldades de encontrar a roupa ideal para seus tipos físicos. “Sempre que a gente vai nas lojas, a gente tem que adaptar a roupa à nossa deficiência, procurar uma costureira para apertar, encurtar, ... Meu grande problema é a calça, porque eu tenho uma perna mais curta que a outra", conta Lucy, que dá a dica sobre o novo modelo: "Minha roupa foi feita com velcro nas laterais, o que facilita muito na hora de vestir”. O problema de vestuário de Rose já é diferente: “Por causa da muleta, eu tenho um ombro maior do que o outro. A roupa que o Senai fez pra mim foi sob medida e esconde bem minhas deficiências”.
Robson e Geraldo, que são paratletas, exibem com orgulho as novas peças de seus guarda-roupas. “Quem tem paralisia cerebral, como eu, não tem equilíbrio motor. Uma roupa mais solta facilita demais pra gente. A calça que foi feita pra mim me deixa super elegante. Eu gosto de vestir roupa social”, declara Robson, que é casado, pai de dois filhos e campeão de arremesso de peso.
“Quem é paraplégico precisa usar um coletor de urina que todo mundo vê e isso sempre afasta as gatinhas. A calça que fizeram pra mim resolveu esse problema. Já bati a internet toda atrás de outra como essa e não existe em lugar nenhum”, conta Geraldo, animado com a exclusividade da peça. O diferencial da calça é um bolso interno com proporções exatas para acomodar o coletor de urina, deixando-o imperceptível. “E ainda tem esse bolso aqui na frente onde eu coloco meu dinheiro e celular”, mostrou.(M.A.D.)