Muito usado nas décadas de 70 e 80 em seleções da capacidade e até mesmo dentro de avaliações vocacionais, o teste de Quociente de Inteligência (Q.I.) não é atualmente o único parâmetro adotado para avaliar um superdotado. O principal argumento para isto é porque esses testes avaliam apenas as habilidades lógico/matemática e lingüística - o intelectualmente superdotado -, quando o consenso hoje de órgãos e estudiosos é que as superdotações estão espalhadas em diversas áreas, que vão desde as artes aos esportes, passando até mesmo pelo relacionamento interpessoal.
“A sugestão no NAAH/S é que não se baseie o trabalho utilizando-se apenas medidas de Q.I., que é um índice isolado e não contempla outros aspectos personológicos e psicológicos do indivíduo”, diz a assessora técnica da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, Renata Maia. Ela explica que, nos Núcleos, inicialmente é realizada uma identificação - na qual podem ser usadas fichas e formulários - com base nas habilidades, interesses e potencialidades dos alunos.
Outro argumento para uma queda no uso de testes de Q.I. é que trazem conteúdo e parâmetro de avaliação referentes à cultura e à educação do grupo usado como referência - ou seja, um teste elaborado nos Estados Unidos ou na Suíça, por exemplo, não seria adequado ao Brasil e vice-versa.
Psicólogo com trabalhos e pesquisa na área da superdotação,
Bruno Campello é um ferrenho defensor dos testes de Q.l. - porém
fazendo as ressalvas sobre a sua procedência. “Podem e devem
ser utilizados. Mas não pode ser medida de inteligência
porque seria uma noção falsa; o teste mede, sim, uma capacidade
mental geral” afirma ele, que mantém um site
sobre o assunto.
O endereço já chegou a conter um teste de Q.I. elaborado
pelo próprio Campello, mas, segundo ele, teve que retirar por
recomendação do Conselho Regional de Psicologia - o argumento
usado era de que o teste, que gerava um resultado, seria ilegal porque
incorria em aconselhamento psicológico (diagnóstico) pela
internet. Campello, porém, gosta de lembrar: “Q.I. alto
não é sinal de genialidade. Uma pessoa sem Q.I. alto pode
ser um gênio das artes, esportes etc”. (B.M.)
Testes online de Q.I.
Estes testes são estrangeiros e, portanto, baseados em seus países de origem. Junto aos links, observações de Bruno Campello sobre cada um deles.


