Os alunos com altas habilidades são pouco visados na educação profissionalizante, que não possui nenhum projeto exclusivo para eles. Em Pernambuco, a única ação profissionalizante para os superdotados é realizada pelo Centro Federal de Educação Tecnológia de Pernambuco (Cefet-PE), dentro do Núcleo de Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais (Napne), que também se volta para jovens com deficiência. O número de superdotados atendidos é ínfimo - apenas 3 entre quase 3 mil alunos. Maiores dados sobre estes alunos não são divulgados - “O aluno prefere não ser identificado”, explica o coordenador do Napne, Gustavo Estevão.
Segundo Estevão, mestre em políticas públicas inclusivas, os professores têm trabalhado a partir da demanda dos jovens. Em um dos casos, conta ele, um professor mudou a metodologia a partir da crítica de um jovem, que não conseguia apreender o assunto da maneira como era repassado. “Há que salientar o conhecimento trazido pelas pessoas com altas habilidades e tentar trazer o que tem menos para a média”, defende.
Nacionalmente, os superdotados chegaram a ter um certo espaço no programa de educação especial do Senai criado em 2002. Hoje, porém, o projeto visa exclusivamente aos alunos com deficiência para atender à demanda das empresas, que precisam preeencher as cotas exigidas por lei. A coordenadora nacional do Programa Senai de Ações Inclusivas (Psai), Loni Manica, esclarece que o trabalho junto aos superdotados se resumiu a uma capacitação de 127 professores das unidades de todo o País, em 2004. “Estes professores passariam os conhecimentos a outros e, quando se identificasse um aluno superdotado, ele seria levado para projetos paralelos, de inovação tecnológicas”, conta ela.
A exemplo da orientação nacional, o Senai de Pernambuco não tem uma ação dirigida aos alunos com altas habilidades nem tampouco foi repassado adiante o conhecimento adquirido na capacitação a distância. “É um trabalho que se precisa de muito investimento e a prioridade agora são as questões das pessoas com deficiência”, explica a coordenadora do Psai no Estado, Maria Lúcia Pernambucano.
No Maranhão, o pensamento é diferente. Lá o Psai, segundo a pedagoga Déborah Lago, começou a capacitar funcionários e professores e a meta é de que seja realizado o acompanhamento dos estudantes com altas habilidades. A observação começa entre os selecionados do estado para a Olimpíada do Conhecimento, disputa que reúne alunos de todas as unidades do Senai espalhadas pelo Brasil. Segundo a pedagoga especialista em altas habilidades, quatro jovens selecionados para a próxima disputa - em 2008 - apresentariam superdotação. “Vamos buscar a formação integral, dando condições de eles continuarem se desenvolvendo", afirma, defendendo em seguida: "Eles devem ser tratados como pessoas que têm um diferencial, mas que não serão excluídos; nem sendo visto como os melhores nem como os piores”. ( B.M.)