Série de Reportagens
Elas estão nas ruas, nas escolas, nos locais de lazer e em ambientes de trabalho. Circulam com dificuldade, mas estão lá. No Brasil somam mais de 24 milhões e representam 14% da população. Mas é como se as pessoas com deficiência fossem invisíveis. A dificuldade de inserção social e a baixa escolaridade as mantêm em uma situação de maior vulnerabilidade e exclusão, por trás das barreiras impostas pelo preconceito. E, muitas vezes, também estão escondidas pela própria família. Ao romper o muro da discriminação, elas mostram que ainda mais cega e surda é a sociedade que não as reconhecem como pessoas que, mesmo com limitações, são capazes de produzir.
Nesta série de reportagens que começa nesta terça-feira (14) e segue durante toda a semana, o JC OnLine reuniu histórias de cidadãos comuns que procuram, através da educação e do emprego, garantir o seu espaço. São cegos, surdos, deficientes físicos, mentais e, inclusive, pessoas com altas habilidades, que retratam uma realidade difícil, mas que pode ser superada, quando há boa vontade. No Maranhão, uma ação pioneira deu os primeiros indicadores de que essa inclusão é possível. Para a primeira matéria, fomos até a capital, São Luís, conhecer de perto estas iniciativas para depois comparar com realidade do Recife, em Pernambuco.
Descobrimos que as duas cidades enfrentam problemas semelhantes e as histórias quase sempre são as mesmas. Muitas empresas estão apenas preocupadas em cumprir cotas, já que essa é uma determinação do Ministério do Trabalho, e a baixa escolaridade termina afunilando ainda mais as oportunidades. Perde-se dos dois lados. Os deficientes reclamam por que ficam com os cargos menores e as empresas alegam que não encontram mão-de-obra qualificada.
Como se não bastasse tudo isso, chegar à escola e ao trabalho também não é tarefa fácil. As barreiras arquitetônicas são entraves nesta maratona diária. As próprias ruas e calçadas não permitem o simples direito de ir e vir. A tecnologia pode ajudar. Universidades e escolas em Pernambuco trabalham protótipos que permitiriam uma maior independência. Na outra ponta, mas também incluídos no rol da educação especial, os superdotados e suas famílias reclamam por maior atenção. Assuntos que você vai descobrir ao longo da série, que estréia exatamente no mês de agosto, quando se comemora a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência que, este ano, abordará o tema “Ser diferente não quer dizer incapaz”.
Acreditamos que a web também é um espaço que possibilita essa independência, como afirmou Douglas Válter, um dos personagens desta história: “A internet é um lado do meu olho. O outro é a bengala. Então estou enxergando bem”. Na hora de produzir o especial Limite, formação e emprego, foi a frase de Douglas que nos motivou a criar um ambiente adequado, para que qualquer um - eu ou você - tenha acesso à informação.
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