Na verdade essa fiscalização começou a ser mais efetiva, a ser mais eficiente, a partir de 2000, quando foram criados os Núcleos de Apoio a Programas Especiais do Ministério do Trabalho (Nape). Os Napes, entre outras atribuições, têm a função de operacionalizar, coordenar, essa fiscalização.
Começamos também a sensibilizar as empresas, a conscientizá-las, e exigir o cumprimento da legislação. Sempre deixando claro que é uma fiscalização extremamente delicada, complexa, difícil, onde a gente lida não só com as dificuldades das empresas em termos de estrutura física, que é a a questão da acessibilidade, mas também e especialmente com mudanças de comportamento, de paradigmas, em relação ao empregado com deficiência.
Na maioria das vezes, se associa a pessoa com deficiência ao baixo desempenho, baixa produtividade e o mercado de trabalho gira em torno disso. E a gente tenta desmistificar exatamente esses paradigmas, esses preconceitos. A outra coisa que também é muito difícil nessa fiscalização é a questão da qualificação desse trabalhador ou trabalhadora. Devido a essa questão cultural, comportamental, até as próprias famílias têm, e eu estou generalizando, quando têm uma pessoa com deficiência não oportunizam a escolaridade.
Então a gente compreende que não é só aquela família que tenta não deixar aquela pessoa se tornar visível ao mundo, mas também as próprias condições, como escola, transporte especial, as próprias ruas e calçadas que não permitem esse transporte com mais independência. É uma estrutura extremamente complexa e ainda muito arcaica.