Nos dois primeiros anos que eu fiquei no Senai eu só trabalhava com pessoas com deficiência e com alguns visuais, mas eu queria mais do que isso. Até que começaram a me botar com turmas de qualificação profissional com pessoas que não têm qualquer tipo de deficiência. A diferença pra mim é que porque eu sou deficiente, eu consigo entender a dificuldade onde está, no mínimo detalhe da informatica, enquanto as demais pessoas só usam o mouse, não gostam do teclado e não observam certos detalhes. Usam, fazem a atividade mas não conhecem na origem, cada ícone, cada ferramenta.
Já os deficientes conhecem cada detalhe, passo a passo. São mais lentos por causa das limitações. As pessoas que não têm deficiencia, eu gosto de trabalhar com eles porque a gente interage e todo dia eu faço questionamentos para saber se realmente aprendeu ou não. E eles costumam me respeitar. Até a inclusão, a integração entre eles e eu no primeiro dia é de uma maneira e a partir de uma semana em diante o relacionamento é muito grande, onde eu acho a minha grande satisfação. Por que por onde eu passo eles me chamam, a gente interage. Diferente do que eles entraram no primeiro dia.
Em todas as turmas eu tento passar o exemplo, conto minhas dificuldades mas mostro que tentamos ser iguais às outras pessoas. Não usar a deficiência como uma dificuldade, uma limitação. Eu passo para eles que tem que persistir, que a gente não poode usar certos tipos de dificuldades usando a deficiência.
Eu digo pra eles que a sociedade ainda tem esses preconceitos, por que ela desconhece muita coisa, Isso é histórico. O preconceito sempre existiu. Eu acredito que sempre vai existir. Mas esse é um trabalho que fazemos hoje para os futuros deficientes que surgirão, e que vão enfrentar menos preconceitos. Como nós estamos hoje aqui. Alguns acham que somos discriminados. Eu não acho. Por que no passado já tiveram piores. Então eu digo: a gente tem que fazer a nossa parte. E muita coisa que a sociedade interpreta, a gente não deve levar em conta.
Você antes de me conhecer, acha que eu sou um coitado. Mas depois aprende a conviver comigo você vê que as coisas não eram do jeito que você achava. A sociedade às vezes discrimina, mas é por falta de conhecimento.