LIMITES FORMAÇÃO & TRABALHO

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Roteiro de vídeo: Maranhão


Abertura do vídeo com imagens que mostram a paisagem, ruas, praias, artesanato e pessoas em São Luís, Capital do Maranhão. A música de fundo é o Tambor de Crioula, ritmo característico do Estado.

A imagem escurece e aparece a legenda: “A inclusão é possível”, seguida da fala de Iranilson Silva de Carvalho, auxiliar de escritório:

“Meu nome é Iranilson Silva de Carvalho, trabalho há seis meses e entrego documentos no 4º andar”

Logo depois, as imagens mostram Iranilson, que tem Síndrome de Down, circulando pelos corredores do Senai, onde ele entrega os documentos. Corta para a imagem de Maria de Jesus, embalando produtos do supermercado onde trabalha. Logo depois ela fala:

“Antes eu não conseguia encontrar emprego, aí as pessoas da escola me ajudaram. Eu trabalho embalando, quando precisa de algum código, vou pegar”

Nova imagem. Agora quem fala é Benedito Lauro, que é operador de telemarketing, e tem um braço amputado.

“Eu trabalho na área de cobrança, ligo para a casa das pessoas pra dizer o valor que ela está devendo, como pode pagar. Quando eu fui pra Gabryella, fiz o teste de digitação. Eles deram seis minutos pra digitar um texto. Eu não bati os seis minutos, mas bati mais um poquinho. O cara ficou até admirado, porque tem gente que tem dois braços e fez em doze. Talvez porque já tenho a prática né?!”

A imagem escurece e então entra a declaração de Helito Hora, diretor do Senai do Maranhão, em seu escritório. Ele diz que:

“O desafio maior pra gente é tentar sensiblilizar o empresariado de que ele não apenas cumpra a cota, apesar de ser uma obrigação. Ele tem que entender que o seu papel como empresário, no contexo maior da inclusão, antes de mais nada, é ser um cidadão e tornar pessoas no exercício da sua cidadania plena.”

A imagem agora é de Maria Júlia Carvalho, que é interlocutora do Psai Maranhão:

“A grande queixa dos empresários é a falta de escolaridade básica. E isso é verdadeiro. É preciso que os governantes, todos dêem as mãos, para que se possa fazer um grande trabalho em cima da educação básica para que o deficiente possa ter dias melhores”.

O ministro da educação, Fernando Haddad, fala:

“Nós temos como prioridade o conceito de educação inclusiva. Talvez já em 2007 nós possamos observar algo inédito no Brasil que é a matrícula de portadores de necessidades especiais nas escolas públicas superar a matrícula de portadores de necessidades especiais em estabelecimentos especializados. Isso é uma vitória da escola pública e do conceito de educação inclusiva.”

A imagem corta para Rosângela Alves, que é assistente social.

“A família, antes desse processo de inclusão, era quem mais excluía. Nós detectamos isso através do serviço social como um entrave para que esse jovens buscassem crescer. O que eles procuravam de início era só aposentadoria. Teve isso, não precisa nem freqüentar a escola, tira isso da sua cabeça e acabou. Sentimos isso em visitas domiciliares. Estamos fazendo um trabalho tão bom com o Psai nessa qualificação que hoje os pais já começaram a perceber esse outro lado da moeda e também neste processo, respeitando o filho como um ser humano”, diz Rosângela.

Logo em seguida, começam os depoimentos dos pais dos alunos. A primeira a aparecer é dona Laura Silva, mãe de Benedito Lauro, que diz:

“Me sinto muito feliz com o meu filho. Ele tem a vida dele. Está ao meu lado e sempre estou ao lado dele. Não saio de perto do meu filho. Eu amo meu filho, demais. Tô perto dele, daqui não saio”.

Sentada ao lado da filha no sítio onde mora, Maria dos Milagres, que é mãe de Rosemery, deficiente auditiva, comenta:

“Só em saber que ela tinha essa deficiência, sinceramente foi um choque bem grande pra mim. Eu custei a aceitar. Nem sei se até hoje aceito. No fundo, no fundo, eu gostaria que ela não tivesse nascido com essa deficiência. Mas hoje eu me sinto bem porque eu não perdi a luta. Fui em frente, não fiquei calada. Eu corri atrás pra fazer dela uma pessoa de bem”.

A tela escurece. Aparece a legenda: Preconceito, a maior das barreiras. E então entra a cena de Vanise Oliveira, que tem nanismo, dando uma declaração, emocionada.

“Ao sair do trabalho fardada, quando entro no ônibus, a maioria das pessoas fica me olhando. Às vezes, eu estou dentro do ônibus indo para algum lugar e as pessoas ficam me perguntando, ás vezes perguntas indiscretas. A gente fica um pouco chateado, porque nem toda pergunta é adequada.

É um pouco difícil...

Pausa

Eu vejo que a oportunidade não é só pra mim. Eu vejo várias outras garotas. No refeitório, na semana passada, eu vi uma garota que tem uma deficiência na mão, os dedinhos dela são agarrados, mas ela tem movimento ainda nas mãos. Eu vi que não era apenas a mim que tinham dado oportunidade

A minha mãe está muito feliz!”, desabafa a garota, hoje empregada.

A imagem volta para Maria Júlia Carvalho, interlocutora do Senai, que diz:

“Para se fazer inclusão, eu não preciso de especialistas, mas eu preciso de seres humanos, de pessoas que entendam o ser humano e que estejam prontas para atender as diferenças.”

A música do início volta e o vídeo termina.

SOBEM OS CRÉDITOS:

JC OnLine
2007

Especial:
Limites, formação e trabalho
Imagens:
Gustavo Belarmino
Produção:
Inês Calado
Música:
Tambor de Crioula
Edição:
Gustavo Belarmino
www.jc.com.br

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