As imagens do vídeo são da Universidade Católica de Pernambuco. Milton Pereira é deficiente visual e trabalha na biblioteca da universidade. Ele está sentado em frente a um computador, de onde fala:
"Muita gente hoje pensa que uma pessoa cega só pode atuar em determinados ramos. Ou ele tem que ser telefonista ou então ele tem que ser auxiliar de câmara escura, que é aquele que faz revelação de raio x. No caso de cadeirante, ele só pode ser digitador ou então recepcionista, no máximo. Uma pessoa surda, só pode ser embalador no supermercado. Veja que existem esses mitos, porque a sociedade não tem tanto contado com as pessoas com deficiência e não vê as potencialidades que existem nelas. Então eu acho fundamental que exista a escola integrada, que a pessoa tenha contato com as pessoas ditas normais. Muita gente aqui na faculdade mesmo já chegou para mim e disse: 'eu nunca imaginei que você pudesse mexer em computador, estudar, fazer o mesmo curso para a gente'. Fui perguntado muitas vezes se meu curso era apropriado para uma pessoa cega... Então existem esses mitos. E a gente só quebra os mitos com a integração mesmo."
De outro ângulo, Milton complementa:
"Eu gostaria que as empresas contratassem as pessoas pela capacidade e não por uma obrigação imposta pela lei. Porque muitas vezes a questão de cotas ajuda, porque existe a questão do preconceito, as barreiras, o mito de que tal pessoa só pode exercer tal função..."
Entram imagens de Milton em movimento, circulando pelos corredores da biblioteca e folheando livros em braile. Enquanto isso, ele fala:
"As pessoas não procuram estudar as potencialidades da pessoa com deficiência. Eu gostaria que não fosse necessário o sistema de cotas. Eu prefiro a conscientização, programas que mostrem a potencialidade das pessoas, porque às vezes você termina, em vez de ajudar, atrapalhando a pessoa com deficiência. Você coloca ele para cumprir uma lei, mas deixa escorado. Muitas vezes para cumprir as cotas é que o preconceito rola mesmo legal. Eles só querem contratar deficientes que tenham uma deficiência leve. A gente brinca dizendo que eles querem cegos que enxerguem, surdo que escute e aleijado que caminhe.
A imagem do vídeo escurece.
SOBEM OS CRÉDITOS:
JC OnLine
2007
Especial:
Limites, formação e trabalho
Imagens:
José Pirauá
Produção:
Isabele Figueirôa
Edição:
Gustavo Belarmino
www.jc.com.br