Aterro sanitário deve operar em 2007

Estudo de Impacto Ambiental do aterro está na CPRH

Um aterro sanitário deve dar lugar ao Lixão da Muribeca. Encomendado pela Prefeitura do Recife com anuência de Jaboatão dos Guararapes, o projeto está sendo desenvolvido pela Associação Tecnológica de Pernambuco (Atepe) e prevê a construção do empreendimento na área de 75 hectares vizinha ao lixão - também num terreno já arrendado à família Maranhão.

O projeto básico, o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório do Impacto do Meio Ambiente (EIA/Rima) foram entregues na última semana de novembro à Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CRPRH), que tem nove meses para análise. Dada a licença, a Emburb calcula o início de construção para meados do próximo ano, estando em funcionamento em 2007. "Este aterro será emergencial, para minimizar os efeitos do amontoado de lixo", explica o secretário de Serviços Públicos do Recife, Dílson Peixoto.

O aterro terá capacidade para receber 2.400 toneladas diárias de lixo e contempla drenagem de líquidos, águas pluviais e de gás, impermeabilização da base do aterro. "O principal ponto é a inclusão social", define o coordenador técnico do projeto, Eduardo Maia. Nessa inclusão entenda-se o aproveitamento de mil catadores que já atuam no Lixão da Muribeca.

A idéia é que eles continuem operando no Lixão - serão construídos seis galpões onde funcionarão esteiras elevadas para que os catadores recolham o que lhes interessar. "Eles não ficarão mais agachados, catando o lixo", observa o engenheiro Paulo Padilha. Essas esteiras, no entanto, não contemplarão todo o lixo levado para o aterro - apenas daquelas viagens que, tradicionalmente, tenham um material "mais rico", vindo de bairros de classe média e alta, com mais objetos para serem reciclados ou reaproveitados. Quanto ao restante dos catadores, a expectativa é de que possa ser aproveitado em fábricas que já trabalham com a coleta seletiva, através de parceria com as prefeituras.

Outro ponto favorável apontado por Maia é a geração de energia, através do biogás produzido pelo lixo, num convênio com a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). "Esta célula de energia vai abastecer o próprio aterro", informa o coordenador técnico, calculando um custo menor de manutenção do local. Segundo o diretor de Limpeza Urbana do Recife, Carlos Muniz, o Aterro Sanitário terá uma vida útil maior do que os 21 anos do Lixão da Muribeca. Porém, de acordo com Maia, a estimativa de uso desse novo aterro é entre 15 e 20 anos. "Vai depender de muitos fatores, inclusive da eficiência dos catadores", explica.

O aterro será criado sobre um terreno em grande parte com base rochosa. Em outras áreas, está prevista a utilização de manto de polietileno de alta densidade. Depois do manto, é posta uma camada de argila e, em seguida, uma de lixo - e assim, sucessivamente. O limite desta montanha, porém, ainda não está definido.

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