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Quando Papai Noel chorou
Às vésperas das festas de fim de ano, José Ubiraci Bernardo catava os dejetos neste fim de novembro com um gorro de Papai Noel encontrado no Lixão da Muribeca. Sem nunca haver ganhado um presente até os seus 33 anos, ele chorou quando questionado sobre o Natal: "Eu queria ser como Didi (de Os Trapalhões), ajudar as crianças". Nesta época do ano, a procura pelos detritos costuma ser mais intensa. "Muitos vêm trabalhar em busca de um trocado para comprar roupas pros filhos", diz Láercio Araújo, fiscal do lixão há cinco anos. Mas José Ubiraci não está apenas fazendo "bico" no lixão. Nascido em Belo Jardim, no Agreste pernambucano, ele fez como tantos: veio para a capital quando não tinha mais emprego e está há mais de dez anos como catador. Vive com a esposa - também catadora - a "meia hora a pé" do lixão. Mas, às vezes, dorme na montanha de lixo. "A gente come daqui, veve (sic) daqui, se veste daqui", resume
Roseneide Maria da Conceição, 52 anos e 27 catando dejetos,
traduzindo o sentimento de estagnação dos que tiram o sustento
dali. "O mais difícil é colocar na cabeça deles
que eles não são lixo, que não são marginais",
avalia o consultor Bertrand Sampaio de Alencar. |
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