Catadores temem expulsão e protestam

Catadores reclamam da possibilidade de fechamento

Mal com ele, pior sem ele. O ditado expressa o sentimento dos catadores do Lixão da Muribeca que, temendo perder o espaço entre os dejetos, iniciaram, neste fim de novembro, uma série de protestos contra a expulsão deles do local. O temor dos catadores nasceu com os projetos de aterro sanitário , que também deve funcionar no bairro da Muribeca, e que estão em análise na Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH).

Sem perspectiva de emprego fora dali, brigam para continuar tirando o sustento do lixo. "A gente só está aqui dentro porque precisa", afirma Maria Gaudêncio da Silva, 58. "Se fecharem o lixão, vamos quebrar a cidade", ameaça Maria Solange da Silva, de 41 anos e há quase 15 catadora depois de ficar desempregada como doméstica. "A gente quer um serviço, mas não se vê nada", afirma, desalentada.

O desespero de dona Maria Solange tem alicerce. No lugar, trabalham quase 1.500 pessoas e a maioria tem um, três e até 22 filhos. "Querem deixar os pais de família sem pão", critica o ex-camelô McGiver Strompt, 33 anos e que há seis meses atua no lixão.

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