
No universo do microcrédito, o fato de ser pequeno não diminui o potencial de crescimento em tempos de crise. Ao contrário: os executivos do setor têm perspectivas muito promissoras. Há até quem veja benefício na atual conjuntura financeira mundial. O raciocínio é simples: com os bancos tradicionais mais reticentes para liberar grandes quantias, sobraria mais espaço para os pequenos.
Esse raciocínio é seguido pelo diretor executivo do Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos de Pernambuco (Ceape), José Ventura Sobrinho. Em 2008, o volume de recursos liberados pela Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) foi de R$ 23 milhões. A previsão para 2009 é de R$ 1 milhão a mais. Pode parecer pouco em termos absolutos, mas se levarmos em conta que os empréstimos, em média, são de menos de R$ 500 seriam dois mil empresários a mais atendidos.
"Nosso sentimento é que não vai haver sofrimento no setor de microcrédito mesmo que a crise se prolongue", avalia Sobrinho. "O que pode acontecer é algum empresário que tem uma barraca na feira e queira montar outra deixar esse investimento para mais tarde, por exemplo. Ninguém vai parar; tanto que não estamos prevendo nenhum corte no oferecimento de crédito nem no próprio Ceape", diz.
A diretora executiva da Ande (Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial), Elza Fagundes, aponta que os micro e pequenos empresários devem sentir muito pouco os efeitos da crise, porém alerta que esse reflexo deve atingir principalmente as agências que dependam de recursos internacionais, já que os custos de fianciamento aumentaram. "O aumento de custo do financiamento ainda não foi percebido, porque as IMFs - Instituiçoes Microfinanceiras - estão assumindo para si esse custo, esperando que outras alternativas de financiamentos surjam e apoiem o cresciento do setor", esclarece.
Outro motivo é o que ela aponta como solidez da economia brasileira, notadamente os grandes bancos, cujo capital disponibilizado para empréstimo não diminuiu. "As operações estão protegidas", aponta. Nos números, a executiva lembra que, só este ano, houve um aumento de 40% na carteira de crédito da agência.
O que pode acontecer, segundo Elza Fagundes, é uma queda no consumo, fato, que, por tabela, afeta as empresas. "Elas não trabalham com projeções de longo prazo, ao contrário das grandes indústrias, por exemplo. Mas alguns já reclamam que estão vendendo menos. O efeito pode acontecer lá na ponta, na demanda", acredita.
FÔLEGO NOVO - Na Credicidadania, os dias ruins foram sentidos no ano passado, quando a diretora Maria de Lourdes Oliveira observou menor procura por crédito. Porém o mais curioso é que ela não aponta a crise como estopim dessa fuga e, sim, a concorrência dos bancos. "Tivemos uma queda de cerca de 15%. Agora já estamos retomando ao mesmo patamar de 2007", explicou.
Maria de Lourdes segue a linha de pensamento de Elza Fagundes ao comentar que a recessão internacional pode afetar o segmento do microcrédito em graus diferentes. Entenda-se esse "grau" como os consumidores. "Alguns vão perder por causa da queda das vendas. Isso é inevitável, principalmente porque nossa clientela vive praticamente de subsistência (não há reservas para reinvestimentos)", explicou.
SOLIDÁRIO - Uma das linhas de financiamento propostas pela Ande encontra muita aceitação entre os microempresários. É o Grupo Solidário, onde equipes de três a sete empreendedores avalizam-se entre si com um valor que pode chegar a até R$ 7 mil. Ele representa 71% dos clientes. "Quando um deles não cumpre o empréstimo, os demais respondem. Dessa forma, eles mantêm-se adimplentes pelo constrangimento de não ter que deixar o amigo pagando o empréstimo sozinho", explica Elza.
A outra forma é o banco comunitário, útil para microempresários de baixíssima renda. Em grupos de 10 a 25 pessoas, eles recebem, além do crédito, noções de educação financeira, poupança e fortalecimento dos laços de solidariedade.
Crediamigo - Banco do Nordeste
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Telefone: (81) 3425.2900
www.agenciaande.org.br
Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos (Ceape)
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