O laço vermelho

A doença que avança por Pernambuco

Por Carlos Maciel

Identificar quem são e por onde andam os portadores do vírus HIV/aids não é tarefa fácil. Mais que analisar e somar números, é preciso desprender-se de qualquer tipo de preconceito para perceber o tamanho real do problema.

“Assim como eu, tem muita gente doente por esse mundo e nem imagina. Tem mulher que pensa que só porque é casada há anos, está imune. Eu também pensava”, disse Socorro, que descobriu estar com aids depois que o marido morreu com a doença.

A falta de conhecimento e o despreparo para encarar o número crescente de casos da doença fecham os olhos de quem prefere ficar alheio ao que está a sua volta.

Em Pernambuco, por exemplo, de acordo com a última publicação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), no dia 18 de novembro de 2010, há 14 mil 571 casos de HIV/aids notificados em 172 dos 185 municípios que compõem o Estado. E essa contagem é recente. Começou há 27 anos, quando foi notificado o primeiro paciente soropositivo no município de Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife.

Com o avanço do vírus, fica visível perceber que o HIV/aids percorre os grandes centros urbanos e caminha em passos longos para o interior.

“De 1983 a 2010 já foram diagnosticados 9.691 homens e 4.835 mulheres com o vírus da aids. Desses 14.571 casos, mais da metade estão espalhados pelo interior de Pernambuco”, é o que aponta o relatório da SES/PE.

No Brasil, o número de pessoas que vivem com o HIV chega a 592.914. Mas, esses dados são do Boletim Epidemiológico atualizado em junho de 2010 pelo Ministério da Saúde, o que significa que o quadro pode e deve ser ainda mais preocupante que esse.

“Os números devem ser vistos apenas como base. Claro que são importantes, são importantíssimos, mas é preciso entender que ainda há uma resistência grande por parte das pessoas em fazer o teste para conhecer sua patologia”, lamenta a assistente social e sanitarista Scheyla Gonçalves.

A quantidade, independente do mês ou ano, será sempre algo estimado, pois são notificados apenas os casos de soropositivos que tomam medicamentos antirretrovirais. Ficando de fora aqueles que não procuram atendimento médico para começar o tratamento e os que se recusam a fazer o teste, seja por preconceito ou interesse.

“Assim como o exame, o resultado também é sigiloso. Então ninguém precisa ficar com receio. Se preferir procurar uma unidade de saúde que seja fora de sua cidade, o faça. Mas, não deixe de realizar jamais o teste. Todos nós estamos suscetíveis a contrair o vírus”, alertou a psicóloga Benita de Assis Torres.

O avanço da aids dos anos 1977 a 2010

FIQUE SABENDO

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um vírus que mata as células CD4 do organismo, também chamadas de células T auxiliadoras, que ajudam o corpo humano a lutar contra infecções e doenças. Com o sistema imunológico destruído, o portador desenvolve a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) e sua transmissão só ocorrerá através de relações sexuais e compartilhamento de agulha de injeção.

Publicado em 1º/12/2010 - Copyright © 1997- 2010. JC Online - Recife - PE - Brasil.

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