Ônibus que eu quero

Ônibus adaptado

O Serviço Especial de Transporte (SET) é realizado por ônibus adaptados com elevadores na porta central, para facilitar a acessibilidade das pessoas que utilizam cadeira de rodas. Atualmente, 46 linhas e 49 veículos integram o SET no Grande Recife. Confira aqui, as linhas dotadas de elevador. Para saber os horários, o usuário deve ligar para a Central de Atendimento ao Cliente (0800.810158). A reportagem testou o serviço. Confira, abaixo, o áudio:

Fonte: EMTU

Bilhetagem eletrônica

O novo modelo de bilhetagem eletrônica será implantado nos ônibus em circulação na Região Metropolitana do Recife até o fim de 2008. O sistema será escolhido em três etapas e prevê, dentre outras mudanças, a distribuição dos novos cartões eletrônicos para as pessoas que têm direito à gratuidade, como portadores de deficiência e idosos. Saiba mais aqui.

Fonte: EMTU

Denúncias

Campanhas educativas são realizadas pela EMTU com regularidade a fim de conscientizar os usuários de ônibus sobre a necessidade de respeitar os assentos reservados nos coletivos para pessoas com deficiência, além de idosos e gestantes. Denúncias sobre o mau uso do transporte público devem ser encaminhadas à Central de Atendimento ao Cliente no 0800.810158.

Fonte: EMTU

Serviço

Saiba como tirar a carteira de Livre Acesso

Conheça o Consórcio de Transporte Metropolitano

ACESSIBILIDADE

Ainda são poucos os ônibus adaptados

por Julliana de Melo

Leandra Cristina da Silva, 24 anos, tem paralisia cerebral. A lesão, provocada pela falta de oxigenação do cérebro no momento do parto, atingiu a coordenação motora dos membros inferiores, impedindo-a de se locomover sem o auxílio da cadeira de rodas. A deficiência física se rendeu à sua força de vontade e, hoje, Leandra é um exemplo de quem luta diariamente pelo direito constitucional de ir e vir. Para manter o estágio de telefonista, no entanto, ela precisa da ajuda da mãe no deslocamento de casa, no bairro da Brasilit, Zona Oeste do Recife, até o trabalho, nas Graças, Zona Norte da cidade. A falta de acessibilidade das vias e do transporte público é, para ela, a verdadeira limitação do seu crescimento pessoal e profissional.

"Quando consegui esse estágio, fiquei com medo porque sabia das dificuldades que teria pela frente", lembrou. As barreiras aparecem no momento que a cadeirante sai de casa. "Não existe ônibus adaptado na linha Brasilit e, por isso, tenho que ir com minha mãe até a Avenida Caxangá para pegar um coletivo acessível", disse. São cerca de 700 metros de ruas e calçadas esburacadas, com poucas rampas, até a parada mais próxima. O horário tem que ser cronometrado rigorosamente porque um pequeno atraso no relógio pode custar sua pontualidade no trabalho. "Apenas duas linhas servem para mim. Se eu perder o horário do ônibus, ele só passa novamente depois de duas horas", ressaltou.

Apesar da falta de opção de linhas e da restrição de horários, a telefonista prefere enfrentar qualquer sacrifício a ter que pegar um ônibus convencional. Segundo ela, a parte da frente reservada às pessoas com deficiência está quase sempre lotada e, quando é obrigada a subir pela traseira, nem sempre tem a garantia de descer onde quer. "Certa vez, minha mãe desceu antes de mim com a cadeira e o motorista deu partida comigo dentro do coletivo. Foi muito constrangedor", contou. No veículo comum, mãe e filha também têm de enfrentar um outro problema: os degraus altos. "Tenho que primeiro subir a cadeira e depois minha filha tem que fazer muita força nos braços para conseguir entrar no ônibus. É uma verdadeira ginástica", disse a dona-de-casa, Elenilda Lima, 45.

Para Leandra, os ônibus com elevadores seriam ideais se atingissem um número maior de veículos e linhas. A manutenção dos equipamentos e o treinamento dos operadores são outros itens que, de acordo com ela, deveriam ser melhorados para garantir o acesso pleno ao meio de transporte. "Já deixei de pegar um ônibus porque o elevador, enferrujado, não estava funcionando", revelou. A cadeirante até aprendeu a manusear o equipamento para facilitar o ingresso ao coletivo. "Muitos cobradores ainda não sabem como operar a máquina nem lidar com o deficiente", denuncia.

RESPOSTAS

Segundo o Decreto Federal 5.296/2004, todos os ônibus que rodam no Brasil terão que ser acessíveis até 2014. Atualmente, no entanto, apenas 49 ônibus adaptados com elevadores na porta central de 46 linhas diferentes integram o Serviço Especial de Transporte (SET) no Grande Recife. O número, segundo a Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead), ainda é insuficiente, mas o cenário atual é considerado favorável. "Nós temos a esperança que agora, com o Consórcio, a EMTU inclua a acessibilidade nas exigências do transporte coletivo adequado", disse o presidente do órgão, João Maurício Rocha. O Consórcio de Transporte Metropolitano - novo modelo de gestão do sistema de ônibus que substituirá a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) - passará a ser compartilhado entre Estado e municípios a partir do primeiro semestre de 2008. (SAIBA MAIS AQUI)

A presidente do Comitê de Acessibilidade da EMTU, Fernanda Gouveia, admite que a quantidade de linhas com ônibus adaptados não é ideal, mas ressalta que vem sendo ampliada desde que o SET foi criado, em 2000. "Em 2007, houve o acréscimo de um ônibus adaptado na empresa Viação Mirim e duas renovações de frota na Caxangá", destacou. De acordo com ela, uma pesquisa foi iniciada em novembro para avaliar a utilização das linhas do SET. "Algumas empresas dizem que os elevadores não estão sendo utilizados, que os ônibus rodam e o cadeirante não utiliza. Estamos vendo a possibilidade de realocação de linhas para outros lugares com maior demanda". O levantamento, que será finalizado até o final deste ano, também analisa reclamações de usuários sobre a falta de preparo dos operadores das máquinas. "A EMTU não é responsável pelo treinamento do pessoal, mas vamos acompanhar e cobrar ações das empresas", garantiu.

Em 2008 estão previstas as licitações dos coletivos e, segundo Fernanda Gouveia, os ônibus adaptados serão revistos. "Estamos planejando o melhoramento da acessibilidade da frota e estudando qual modelo de tecnologia é mais indicado para ser adotado na Região Metropolitana do Recife." Conselhos municipais e entidades de defesa, como a Sead, defendem a utilização dos veículos com piso rebaixado, mas Fernanda alerta que esse modelo depende de fatores externos para ser aplicado, como ausência de buracos e desníveis nas ruas. "As vias públicas devem dar condições de circulação ao ônibus, que não vai rodar apenas nos principais corredores, mas nos subúrbios também". O custo do equipamento é algo que será levado em conta pelo Consórcio. O ônibus com elevador central é de R$ 7 a 10 mil mais caro do que o veículo normal, que custa R$ 215 mil. Com piso rebaixado, é 50% mais caro e o valor chega a R$ 330 mil. "Esse custo pode repercutir na tarifa do ônibus", ressaltou.

Outra mudança que promete entrar em vigor em 2008 é sobre a bilhetagem eletrônica. "Com a nova tecnologia que será empregada na bilhetagem, as pessoas com deficiência também vão receber os cartões eletrônicos e terão acesso à parte traseira do ônibus". Os novos terminais também estão sendo construídos dentro das normas de acessibilidade. "Esse é um assunto que vem sendo tratado com muito cuidado pela EMTU, com todo respeito que as pessoas com deficiência merecem. Estamos fazendo diagnóstico do serviço e sensibilização técnica para prestar o melhor serviço possível", ressaltou. Era a notícia que Leandra estava esperando para encarar o próximo ano com mais esperança. "Quero terminar meu segundo grau e conseguir um emprego fixo. Tudo ficará mais fácil com o transporte público acessível", finalizou.

Copyright © 2007 JC ONLINE | Sistema Jornal do Commercio de Comunicação - Publicado em 27.12.07